Fernando Segtowick

FILMES DA DÉCADA – CINEMA PARAENSE

Em 2020 nosso projeto completou dez anos de pesquisa do cinema e do patrimônio audiovisual paraense e, para fechar o ano, elaborou uma lista dos filmes e produções audiovisuais mais importantes da década, de 2011 a 2020, em nosso estado. São 10 filmes que consideramos obras obrigatórias para a compreensão desta década do cinema paraense.
O ano foi difícil para o setor audiovisual, muitos projetos não foram lançados por conta da pandemia, outros seguiram por festivais virtuais, e a internet foi a salvação e o grande desafio. Nunca foi consumido tanto produtos audiovisuais on demand como no ano que se acaba, e nunca foi tão necessária. As salas de cinema fechadas fizeram de 2020 o pior ano da história do cinema, mas seguimos produzindo, pesquisando e criando cinema.
A esperança de que em 2020 a PL 417/2019 (Lei do Audiovisual Milton Mendonça, obrigado @criapara) e a Lei Aldir Blanc/ Audiovisual sejam o impulso inicial de uma nova retomada e uma luz, após essas trevas, para o cinema paraense. E mais, um desejo e pedido, que a prefeitura de Belém reative o Edital de Fomento a Produção de Curtas-metragem, tão importante no início dos anos 2000.
A publicação dos Filmes da Década marca também a ativação do nosso portal cinematecaparaense.org e um agradecimento a todos os realizadores, inclusos ou não nesta lista que é apenas um recorte simbólico, que bravamente lutam pelo cinema.
Os filmes da década, de acordo com nossa curadoria, são:
O documentário vencedor do grande prêmio no último Amazônia Doc é um projeto de sensibilidade e coragem. As diretoras conseguem testemunhar e registrar a intimidade de mulheres trans da Amazônia e encadear esse delicado material com uma poética contundente. Sem duvida um dos melhores documentários já produzidos no Pará.
Um filme de estrada feminista e amazônico. Jorane fez um longa-metragem com protagonistas mulheres em uma busca por amor, de Belém até Salinas. Impossível não destacar a cantora Keila Gentil em uma atuação naturalista e vibrante. É o mais recente filme de longa duração feito no Pará depois de um hiato de 40 anos, fato que por si só já o colocaria como um dos grandes filmes paraenses da história. Mas não apenas por isso. Sua edição cria um tempo poético com as imagens úmidas e sem pressa, e a música envolve o espectador numa atmosfera amazônica. É tecnicamente perfeito, humano e levemente selvagem. Um marco.
A webserie musical Sampleados é uma grande homenagem ao brega paraense e suas derivações contemporâneas. Com duas temporadas e episódios especiais a produção já foi vista milhões de vezes no canal da Platô Filmes. Filmado sempre em locações icônicas da capital e com participação de diversos intérpretes em novas versões de clássicos do brega pop. A produção das faixas de Will Love é um trunfo do projeto, encadeando o roteiro com as musicas.
A estrutura narrativa, simples a primeira vista, com um off que transita da comédia ao drama de forma exemplar, é permeada por imagens de arquivo que muito contribuem para a simpatia pela história que o filme conta. Cheio de soluções visuais criativas, fotografia vintage e montagem com um perfeita criação de tempo. O afeto está presente em cada frame dessa pequena obra-prima.
A ilha de Cotijuba é um personagem desse filme de Mateus Moura. Uma história de amor e morte na fronteira entre o real e a encantaria. Realizado de forma colaborativa, entre amigos de sonho, surpreende pela técnica e narrativa humana e social, mostrando uma Amazônia além da paisagem.
A distopia proposta por este experimento cinematográfico de alunos do curso de Cinema e Audiovisual da UFPa é um marco do nosso cinema. Realizado com recursos exíguos em todas as suas etapas de produção, com uma ficha técnica gigantesca de colaboradores e apoiadores, é uma prova de que é possível. Participou de uma série de festivais e mostras por todo o Brasil, ganhando alguns prêmios.

Dias, de Fernando Segtowich (2001)

Gênero Ficção
Diretor Fernando Segtowick
Elenco Sandra Barsotti, Adriano Barroso, Tatiana Braun
Ano 2000
Duração 10 min
Cor Colorido
Bitola 35mm

Produção
Moana Mendes

Fotografia
Lito Mendes da Rocha

Roteiro
Fernando Segtowick

Edição
Verônica Sáenz

Som Direto
Nicholas Hallet

Direção de Arte
Déia Britto

Trilha original
Epadu

País Brasil

Dezembro – de Fernando Segtowick

Categorias
Curta-metragem / Sonoro / Ficção

Material original
35mm, COR, 10min, 280m, 24q, 1:1’66

Data e local de produção
Ano: 2002
País: BR

Sinopse

“Véspera de Natal, em Belém do Pará. Como toda cidade grande, a movimentação das pessoas é em função dos preparativos da festa, mas algumas enfrentam problemas sérios, neste momento de confraternização. Jeremias, recém-saído da prisão, tem de enfrentar a situação da morte da mulher e da filha que vive afastada, ainda é perseguido por um policial que o jurou de morte. Carla, em conflito com a família, tenta se aproximar da mãe. Simone é caixa de um supermercado que enfrenta com boa vontade o fato de ser mãe solteira, mas o esforço do trabalho pode prejudicar a gravidez. Almeirinda lida com os caprichos da filha adolescente disposta a tudo para impressionar o namorado. Nessa colcha de relacionamentos, eles vão se encontrar no templo do consumo e numa situação limite, rever suas vidas.” (CinePE/2003)

Gênero

Drama

Dados de produção

Companhia(s) produtora(s): Ef Produções
Produção: Freitas, Emanoel; Segtowick, Fernando
Direção de produção: Gabriel, Vanessa
Produção executiva: Freitas, Emanoel
Roteirista: Segtowick, Fernando
Direção: Segtowick, Fernando
Direção de fotografia: Leal, Diógenes
Iluminação: Quanta – SP
Som direto: Hallet, Nicolas
Montagem: Sãenz, Verônica; Hagadê Montagem
Montagem de som: Pereira, Kira; Effects Filmes
Direçãoo de arte: Rael, Charles
Figurinos: Oliveira, Adelaide
Música (Genérico): 11:11 Org; Bates, Norman
Identidades/elenco:
Bezerra, Fabrizio
Pompeu, Helen
Pamplona, Ewe
Leal, Antônia
Barroso, Adriano
Lucena, Astréa
Monteiro, Maíra
Eduardo, Claudenice
Laiun, Tatiana
Ferreira, Leonel

Fonte: Cinemateca Brasileira, Porta Curtas e Portal Cultura (Moviola)