Filme do mês // Mai.2015 – Bom dia / Nanna Reis

Bom dia / Videoclip de Nanna Reis.

Belém, 2015. 4 min.

maxresdefaultDireção: Lucas Escócio e Gareth Jones; Produção: Sandro Santarém, Paulo Afonso, Alfredo Reis; Produtora: Alt Produções; Animação: Gustavo Estrada; Ilustração: Yuri Santos; Elenco: Nanna Reias, Mestre Damasceno, Maria Eduarda Begot; Make up: Amanda Pris; Figurino: Jhonatan Camêlo; Filmado em Salvaterra e Soure (Ilha do Marajó / Pará / Brasil).

 

Filme do mês // Fev.2015 – Sobre distâncias e incômodos e alguma tristeza

Sobre distâncias e incômodos e alguma tristeza

Belém, 2009. 6 min.

Direção, fotografia, som e edição: Alberto Bitar

O deixar para trás de um sítio impregnado de lembranças, sonhos, desejos, segredos ditos em sussurros, revelados aos gritos ou outros que continuam segredos, o abandono de um lugar onde a coleção de determinados objetos faz sentido e onde a arrumação e a escolha destes, apesar de alguma alteração, guardam o gosto e a memória de pessoas que já não estão presentes – saíram da cena antes.
Captura de tela 2015-02-05 11.28.21Que atores virão? Que novos sentimentos se somarão aos que já carregam essas paredes? Talvez de mesma natureza, talvez outros. Que camadas serão alteradas no chão? Que luzes preencherão esse vão? Em que retinas tantas imagens escreverão? Quantas imagens? Especulações.
A certeza que tenho é que levo também impregnadas em mim todas essas sensações, essas lembranças – mesmo que muitas adormecidas – e que torço consiga transmitir para os próximos cenários as mesmas boas impressões e que me sinta em casa.
Saudades desse teatro e da paisagem que o envolve.
Além de contribuir com essas minhas recordações, este filme tem a finalidade de ser um tributo a todos esses momentos vividos e a todas as pessoas que compartilharam por qualquer tempo que tenha durado, esse ambiente.

Alberto Bitar

alberto bitarAlberto Bitar nasceu em 1970, vive e trabalha em Belém (PA). Formado em Administração pela Unama (Belém). Iniciou sua trajetória como fotógrafo em 1991, reunindo exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, dentre as quais: 30ª Bienal de Arte de São Paulo (2012); 32º Panorama da Arte Brasileira, MAM/SP (São Paulo, 2011); Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural (São Paulo, 2008/2009); Densidentidad, IVAM (Valência, 2006); Une certaine Amazonie, Salon du Livre et de la Presse Jeunesse (Paris, 2005); e Brasiliana – Fotógrafos da Fotoativa (Porto, 2000). Ganhou, em duas ocasiões, o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (2012 e 2010); em sete, o Salão Arte Pará (Belém, 1997–2011), entre outros. Possui obras em diversos acervos, como na Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), no MAM/BA [Salvador], na Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, no MAC/USP e no MAM/SP, na Coleção FNAC Brasil, no MACRS e no MARGS [Porto Alegre]. (Fonte: Kamara Kó)

Cinema no Pará: História e Memória / Exposição, Mostra de Filmes e Catálogo

 

O blog Cinemateca Paraense, que há 03 anos pesquisa a memória da produção audiovisual no Pará, realiza, em parceria com o Museu da Imagem do Som do Pará, o projeto Cinema no Pará: História e Memória, uma iniciativa inédita de ações pra levar ao público o universo por trás das câmeras de cinema.

Com patrocínio do Banco da Amazônia o projeto montou uma exposição de equipamentos de cinema com projetores, câmeras, objetos de produção de várias épocas contextualizados com painéis fotográficos e até a montagem de antigo cinema na própria galeria. A exposição tem curadoria de Ramiro Quaresma, idealizador e mantenedor do blog Cinemateca Paraense, e de Armando Queiroz, diretor do Museu da Imagem e do Som do Pará. Abrindo às 19h do dia 02de Maio a exposição tem entrada franca e fica aberta dia 12 de Maio, na Galeria Theodoro Braga da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.

Concomitante à exposição será exibida uma mostra de filmes que fizeram a história do cinema e do audiovisual no Pará. De 02 a 06 de maio no Cine Líbero Luxardo a partir das 17h uma programação comentadas pelos realizadores como Cássio Tavernard, Priscilla Brasil, Fernando Segtowick, Vicente Cecim, Nando Lima, Januário Guedes e Afonso Gallindo. A mostra de filmes tem curadoria de Ramiro Quaresma.

MANIFESTO NÃO JOGUE FILMES FORA

NÃO JOGUE FILMES FORA

MANIFESTO DO 70º ANIVERSÁRIO DA FIAF

 

FÓRUM ABERTO

Os filmes representam uma parte indispensável de nossa herança cultural e um registro extraordinário de nossa história e de nosso cotidiano. Os arquivos de filmes, tanto públicos quanto privados, são as organizações responsáveis pela sua aquisição, custódia, documentação e disponibilização para as gerações atuais e futuras, para fins de estudo e de lazer.
A Federação Internacional de Arquivos de Filmes (FIAF) e seus afiliados, abrangendo cerca de 130 arquivos em mais de 65 países, conseguiram salvar mais de dois milhões de filmes nos últimos setenta anos. No entanto, para alguns gêneros, regiões geográficas e períodos da história do cinema, sabe-se que a taxa de sobrevivência é consideravelmente inferior a 10% dos títulos produzidos.
Por ocasião de seu 70º aniversário, a FIAF apresenta ao mundo um novo slogan: “NÃO JOGUE FILMES FORA” . Se você não está suficientemente equipado para manter um arquivo de filmes, a FIAF e seus membros terão prazer em ajudá-lo a localizar um arquivo que possa mantê-lo. Os filmes são culturalmente insubstituíveis e podem durar por muito tempo, se estiverem em mãos especializadas.
Embora reconheçam que a tecnologia da imagem em movimento atualmente tenha progredido com as evoluções no campo digital, os membros da FIAF estão decididos a continuar recebendo filmes e a preservá-los como tal. Esta estratégia representa um complemento ao desenvolvimento de métodos eficientes para a preservação da herança cultural nascida sob forma digital. Os afiliados da FIAF recomendam que as autoridades governamentais de todos os países, responsáveis pela preservação da herança cultural cinematográfica do mundo, e todos que fazem e que cuidam de filmes, sejam profissionais ou amadores, ajudem no desempenho desta missão.
O slogan NÃO JOGUE FILMES FORA significa que filmes não devem ser descartados, mesmo que se julgue que seus conteúdos estejam adequadamente preservados tendo sido transferidos para um suporte de filme mais estável ou digitalizados com uma resolução que aparentemente não implica em nenhuma perda significativa de informação. Arquivos de filmes e museus comprometem-se a preservar os filmes em película, pelas seguintes razões:

*) Um filme é uma obra de ficção criada por um diretor, ou representa o registro de um momento histórico capturado por um câmera. Ambos são potencialmente importantes e constituem parte da herançacultural mundial. O filme é uma entidade tangível, pode ser lido pelo olho humano e precisa ser tratado com muito cuidado, tal como outros objetos históricos e museológicos.

*) Embora os filmes sejam física e quimicamente frágeis, representam um material estável que pode sobreviver por séculos, se guardado e cuidado adequadamente. Sua expectativa de vida já demonstrou ser muito mais longa do que a de outros suportes de imagem em movimento como, por exemplo, as fitas de vídeo, que surgiram muito depois do filme. A informação digital só tem valor se puder ser interpretada, e os suportes de informação digital são também vulneráveis à
deterioração física e química. Além disso, os elementos de hardware e software necessários à interpretação estão sujeitos à obsolescência.

*) Filmes continuam sendo o melhor meio de armazenagem de imagens em movimento. É um dos produtos disponíveis mais padronizados internacionalmente, e continua sendo uma mídia com potencial de alta resolução. Os dados contidos nos filmes não necessitam de migração constante e os equipamentos cinematográficos não precisam de atualização frequente.

*) Os elementos fílmicos mantidos em depósitos são os materiais originais dos quais todas as cópias são derivadas. Pode-se determinar, a partir deles, se uma cópia está completa ou não. Quanto mais a tecnologia digital se desenvolve, mais fácil é mudar ou até alterar arbitrariamente o conteúdo da obra. Alterações ou distorções injustificadas, no entanto, podem sempre ser detectadas por comparação com os filmes originais, desde que tenham sido armazenados de forma
correta.

Nunca jogue filmes fora, mesmo que você esteja convencido de que algo melhor virá. Não importa quais tecnologias possam emergir para a imagem em movimento no futuro: as cópias de filmes existentes nos conectam às realizações e certezas do passado. AS CÓPIAS DE FILME SOBREVIVERÃO – NÃO JOGUE FILMES FORA.

Paris, abril de 2008


Agradecimentos:

O Manifesto do 70º Aniversário da FIAF foi originalmente redigido por Hisashi Okajima em 2007 com o título Apelo da FIAF. Este documento oferece uma primeira síntese do trabalho iniciado em 2005 e apresentado ao Comitê Executivo da FIAF. O texto foi meticulosamente revisado por David Francis, reelaborado e editado por Roger Smither, e teve valiosa consultoria de Paolo Cherchi Usai, Robert Daudelin, Edith Kramer e Paul Read, além de consultas feitas aos atuais membros da Comunidade Européia da FIAF. A tradução para o francês foi feita por Robert Daudelin, e para o espanhol por Christian Dimitriu.

O Manifesto foi adotado pela Assembleia Geral da FIAF em Paris, após discussão que incluiu um grande número de sugestões para sua melhoria. Como acordado na proposta submetida à votação, elas foram discutidas por uma equipe indicada pelo Comitê Executivo, resultando neste texto final. A equipe foi constituída por Paolo Cherchi Usai, Roger Smither, Hisashi Okajima e Eva Orbanz. Foram também recebidas contribuições ao processo de edição final de Iván Trujillo, Alexander Horwath e Maria Elisa Bustamante.