FILMOGRAFIA – JORANE CASTRO /// III SPAA

FILMOGRAFIA

Jorane Castro é produtora, roteirista e diretora nascida em Belém (PA). Professora do curso de Cinema e Audiovisual(ICA-UFPA) desde 2009. Realizou uma série de curtas-metragem e documentários. Seu primeiro longa-metragem de ficção foi lançado em 2016. Formada em Comunicação Social – UFPA (1990), possui graduação em Estudos Cinematográficos e Audiovisual – Université de Paris VIII (1994) e mestrado em Sociologia – Université Paris Diderot – Paris 7 (1996). Estudou na Escola de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños, em Cuba (Direção de Elenco e Roteiro Avançado), em 2004.  

 

 

Cenesthesia, 1988  

 

CENESTHESIA. Roteiro, Direção e Edição: Jorane Castro, Toni Soares e Dênio Maués. Iluminação e Câmera: Diógenes Leal. Música Original: Toni Soares. Produção: Phungo – Imagens e Trilhas. Apoio Técnico: Diógenes Leal e Januário Guedes. Edição de VT : Tim Penner. Caracteres: Allan Pinheiro e Jaime Filho. Belém. 1988. 7 min. Filmado em Super VHS.  

 

Post-scriptum, 1995  

 

POST-SCRIPUTUM, Roteiro e Direção: Jorane Castro. 1995. Paris – FRA. 15 min. Cor. Son.  

 

Mulheres Choradeiras, 2000  

 

MULHERES choradeiras. Roteiro e Direção: Jorane Castro. Produtora: Cabocla Filmes. Fotografia: Jane Malaquias. Som Direto: Márcio Câmara. Montagem: Bonita Papastathi. Direção de Arte: Armando Queiroz. Figurino e Make up: Maurity.  Preparação Vocal: Márcia Aliverti. Preparação de Ator: Cláudio Barros. Produção Executiva: Moema Mendes, Marta Nassar, Direção de Produção: Moana Mendes,  Sérgio Pretto, Conceição Golobovante. Elenco: Nilza Maria, Mendara Mariani, Tacimar Cantuária, Marinaldo Santos, Armando Pinho. Belém. 2000. 15 min. Cor. Son. Filmado em 35mm. Realizado com recursos do Concurso de premiação de projetos de obras audiovisuais de curta-metragem de produção independente do Ministério da Cultura. Fonte de consulta: site da produtora.  

 

Invisíveis Prazeres Cotidianos, 2004  

 

INVISÍVEIS prazeres cotidianos. Direção e Roteiro: Jorane Castro. Produção: Zienhe Castro . Fotografia: Pablo Ramirez Duron. Som Direto: Márcio Câmara. Produtora: Cabocla Produções. Edição de som: Damião Lopes . Produção Executiva: Cabocla Produçães . Montagem: Jorane Castro, Veônica Saenz . Música: Felipe Proença, Henry T, Vinicius Cohen . Belém. 2004. 26 min. Cor. Son. Filmado em DV. Realizado com recursos do Rumos Itaú Cultural Cinema e Vídeo 2003-2004. Fonte de consulta: Itaú Cultural.  

 

Quando a Chuva Chegar, 2007  

 

QUANDO a chuva chegar. Direção e roteiro: Jorane Castro. Produtora: Cabocla Filmes. Fotografia: Pedro Vargas Ionescu. Som Direto: Marcio Câmara. Trilha sonora: Pio Lobato. Diretor de Arte: Boris Knez. Figurino: Marbo Mendonça. Make Up: Germana Chalu. Montagem: Atini Pinheiro. Direção de produção: Ana Lucia Lobato. Produção executiva: Moema Mendes. Preparação de Ator: Adriano Barroso. Elenco: Nani Tavares, Sílvio Restiffe, Abigail Silva, Dione Colares, Nilza Maria, Adriana Cruz, Tacimar Cantuária, Armando Pinho. Belém. 2009. Cor. Son. Filmado em 35 mm. Realizado através da Lei Rouanet/Ministéiro da Cultura e Lei Semear/Governo do Pará. Fonte de consulta: site da produtora.  

 

Mulheres de Mamirauá, 2008

 

MULHERES de Mamirauá. Direção: Jorane Castro. Roteiro: Edila Moura, Jorane Castro. Produtora: Cabocla Filmes. Fotografia e Edição: Atini Pinheiro. Belém-PA, Tefé-AM. 2008. 40 min. Cor. Son. Realizado pela Sociedade Civil Mamirauá com recursos do Ministério da Saúde.  

 

Lugares de Afeto, a fotografia de Luiz Braga, 2008

 

LUGARES de afeto: a fotografia de Luiz Braga. Roteiro e Direção: Jorane Castro. Produtora: Cabocla Filmes. Imagem: Jacob Serruya. Montagem: Atini Pinheiro, Jorane Castro. Videografia: Atini Pinheiro. Trilha Sonora: Pio Lobato, Vinicius Cohen. Produção Executiva: Danielle Santos Entrevistados: Rosely Nakagawa, Tadeu Chiarelli, Paulo Herkenhoff, João de Jesus Paes Loureiro, Cássio Vasconcellos, Osmar Pinheiro, Rubens Fernandes Junior. Belém. 2008. 72 min. Cor. Son. Filmado em HD.  

 

Ribeirinhos do Asfalto, 2011  

 

RIBEIRINHOS do asfalto. Direção e roteiro: Jorane Castro. Elenco: Dira Paes, Ana Leticia Cardoso, Anne Dias, Adriano Barroso, Ives Oliveira, Paulo Marat. Roteiro e Direção: Jorane Castro. Direção de Fotografia: Pablo Baião. Som Direto: Márcio Câmara. Direção de Arte: Rui Santa Helena. Maquiagem: Sônia Penna. Figurino: Antonio Maurity. Edição: Atini Pinheiro. Música: Pio Lobato. Coodernação de Produção: Luis Laguna, Danielle Santos. Belém. 26 min. 2011. Cor. Son. Filmado em 35 mm.  

 

O Time da Croa, 2014  

 

 

Para ter onde ir, 2016 (trailer)  

 

PARA ter onde ir. Roteiro e Direção: Jorane Castro. Produção: Jorane Castro e Ofir Figueiredo. Coprodução: João Vieira Jr, Chico Ribeiro e Nara Aragão. Produção Executiva: Ofir Figueiredo. Direção de Produção: Moana Mendes e Dedete Parente. Direção de Fotografia: Beto Martins. Direção de Arte: Rui Santa Helena. Figurino: Antônio Maurity. Maquiagem: Sonia Penna. Som Direto: Márcio Câmara. Montagem: Joana Collier. Desenho de som e Mixagem: Edson Secco. Trilha Sonora: Gang do Eletro. Produtora: Cabocla Films e REC. Belém, 2016. Cor. Son. Filmado em Digital / 35 mm.  

 

Mestre Cupijó e seu ritmo, 2019  

 

MESTRE CUPIJO E SEU RITMO. Roteiro e Direção: Jorane Castro. Belem. 2019. 75 min. Cor. Son.

 

(FILMES INCORPORADOS DO CANAL VIMEO DA CABOCLA FILMES)

 

 

Filme do mês // Mai.2015 – Bom dia / Nanna Reis

Bom dia / Videoclip de Nanna Reis.

Belém, 2015. 4 min.

maxresdefaultDireção: Lucas Escócio e Gareth Jones; Produção: Sandro Santarém, Paulo Afonso, Alfredo Reis; Produtora: Alt Produções; Animação: Gustavo Estrada; Ilustração: Yuri Santos; Elenco: Nanna Reias, Mestre Damasceno, Maria Eduarda Begot; Make up: Amanda Pris; Figurino: Jhonatan Camêlo; Filmado em Salvaterra e Soure (Ilha do Marajó / Pará / Brasil).

 

Filme do mês // Fev.2015 – Sobre distâncias e incômodos e alguma tristeza

Sobre distâncias e incômodos e alguma tristeza

Belém, 2009. 6 min.

Direção, fotografia, som e edição: Alberto Bitar

O deixar para trás de um sítio impregnado de lembranças, sonhos, desejos, segredos ditos em sussurros, revelados aos gritos ou outros que continuam segredos, o abandono de um lugar onde a coleção de determinados objetos faz sentido e onde a arrumação e a escolha destes, apesar de alguma alteração, guardam o gosto e a memória de pessoas que já não estão presentes – saíram da cena antes.
Captura de tela 2015-02-05 11.28.21Que atores virão? Que novos sentimentos se somarão aos que já carregam essas paredes? Talvez de mesma natureza, talvez outros. Que camadas serão alteradas no chão? Que luzes preencherão esse vão? Em que retinas tantas imagens escreverão? Quantas imagens? Especulações.
A certeza que tenho é que levo também impregnadas em mim todas essas sensações, essas lembranças – mesmo que muitas adormecidas – e que torço consiga transmitir para os próximos cenários as mesmas boas impressões e que me sinta em casa.
Saudades desse teatro e da paisagem que o envolve.
Além de contribuir com essas minhas recordações, este filme tem a finalidade de ser um tributo a todos esses momentos vividos e a todas as pessoas que compartilharam por qualquer tempo que tenha durado, esse ambiente.

Alberto Bitar

alberto bitarAlberto Bitar nasceu em 1970, vive e trabalha em Belém (PA). Formado em Administração pela Unama (Belém). Iniciou sua trajetória como fotógrafo em 1991, reunindo exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, dentre as quais: 30ª Bienal de Arte de São Paulo (2012); 32º Panorama da Arte Brasileira, MAM/SP (São Paulo, 2011); Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural (São Paulo, 2008/2009); Densidentidad, IVAM (Valência, 2006); Une certaine Amazonie, Salon du Livre et de la Presse Jeunesse (Paris, 2005); e Brasiliana – Fotógrafos da Fotoativa (Porto, 2000). Ganhou, em duas ocasiões, o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (2012 e 2010); em sete, o Salão Arte Pará (Belém, 1997–2011), entre outros. Possui obras em diversos acervos, como na Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), no MAM/BA [Salvador], na Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, no MAC/USP e no MAM/SP, na Coleção FNAC Brasil, no MACRS e no MARGS [Porto Alegre]. (Fonte: Kamara Kó)

FILME DO MÊS // JAN.2015 – CURIUA-CATU

CURIUA-CATU A Grande Expedição de Pedro Teixeira

2000, Lisboa, Portugal – Belém, PA

Captura de tela 2015-01-19 14.24.32

Direção : Carlos Barreto
Roteiro: Felipe Homem Fonseca
Fotografia: Paulo Rosa
Produção: Inês Broges, Afonso Gallindo
Montagem: Lina Lourenço, Brigitte Luís
Som: Carlos Ferreira
Direção de Arte: Charles Rael, Jorge Cunha
Música original: Dulce Pontes

Cor: Colorido, Formato: 35mm, Duração: 12 Min

Elenco: Amilcar Cabral, Aberto Solva, Paulo Santana

Depoimentos: João de Jesus Paes Loureiro, Paulo Chaves Fernandes, Geraldo Mártires Coelho

Sinopse: a saga do navegador português Pedro Teixeira que, em 1637, saiu de Cametá no Pará para subir o rio Amazonas a remos até chegar em Iquitos no Peru.

Comentários: Coprodução Brasil-Portugal.

O CINEMA PARAENSE EM DESTAQUE – DE 03 À 15/01/12 – Cine Olympia

O CINEMA PARAENSE EM DESTAQUE NO CINE OLYMPIA

Em homenagem ao aniversário da cidade de Belém no próximo dia 12/01/12 e já dentro do início das comemorações dos 100 anos de atividades do Cine Olympia, este cinema irá exibir uma programação especial com curtas-metragens dirigidos e produzidos no Pará.

A Mostra O CINEMA PARAENSE EM DESTAQUE é composta de 5 curtas-metragens que serão exibidos de 03 à 15/01/12 (com exceção da segunda-feira) às 18:30 h com entrada franca.Confira a programação completa:


“Adimirimiriti” de Andrei Miralha (2005)
Sinopse: Os brinquedos de miriti expostos numa feira ganham vida. O boneco dançarino de brega é abandonado por sua parceira e, a partir daí, sai em busca do seu par.

“Açai com Jabá” de Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walério Duarte (2000)
Sinopse: Um bem humorado duelo acontece entre um paraense e um turista para ver quem consegue tomar mais açaí com jabá.

“Chama Verequete de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira(2000)
Sinopse: Documentário poético sobre Mestre Verequete, personagem fundamental da história do ritmo raiz do Pará, o Carimbó, que legitimou e divulgou pelos quatro cantos do Brasil.

“Invisivéis Prazeres Cotidianos” de Jorane Castro (2004)
Sinopse: A partir dos textos de cinco blogs sobre Belém – diários virtuais criados por jovens da cidade – a diretora mostra depoimentos de blogueiros que mostram uma visão contemporânea e particular da cidade.

“Matinta” de Fernando Segtowick (2010)
Sinopse: Inspirado na lenda amazônica da Matinta Perera, esta versão aparece entremeada a um triângulo amoroso que se passa em uma vila de pescadores.

MOSTRA “CINEMA PARAENSE EM DESTAQUE”
CINEMA OLYMPIA – EM 2012, 100 ANOS DE CULTURA E LAZER
DE 03 À 15/01/12
HORÁRIO : 18:30 H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS

O fim de todos os cinemas de rua, que pena! – por José Carneiro

O fim de todos os cinemas de rua, que pena!

José carneiro

 

Belém foi marcada por grandes cinemas, mas hoje só há salas em locais fechados

Já é uma realidade insofismável (sem ser novidade) que os cinemas de rua em Belém são uma espécie completamente extinta, jazendo sepultada nos desvãos da história. Oxalá eu pudesse provar, para mim mesmo, que estou enganado. Infelizmente não estou e por isso me aflijo. E escrevo!

Neste mês de abril o Cine Olímpia completaria 96 anos como o cinema mais antigo do Brasil em funcionamento. Mas, lamentavelmente, ele o deixou de ser no ano de 2006, precisamente no dia 16 de fevereiro, às 22 horas, quando projetou a última sessão cinematográfica de sua história e, ao final dela, cerrou as portas para sempre. A empresa ‘Luiz Severiano Ribeiro’, uma das maiores exibidoras cinematográficas do país, dona do prédio e responsável pela programação da sala, diante dos prejuízos sucessivos que não conseguia evitar, optou pela solução de mercado, deixando de lado, por razões óbvias, a tradição cultural, a história e, quiçá, a memória. Nada conseguiu salvar o Olímpia dessa ruptura com o seu passado e com o título de antiguidade que ostentava.

Sobre as cinzas da tradição do Olímpia, a Prefeitura de Belém tentou edificar uma nova história para a sala exibidora, primeiro alugando o prédio e, em seguida, criando uma espécie de centro cultural para várias finalidades, incluindo a exibição de filmes, gratuitamente. Está claro que o Olímpia, com sua programação normal de exibição, definitivamente já não existe e o ‘mocinho’ não chegou ao final do ‘roteiro’ para salvá-lo. A manutenção da atual proposta, que por enquanto ainda agrada aos ‘Severiano Ribeiro’, é tão imprevisível quanto a quantidade de chuva que tem caído recentemente em Belém. Naquele inglório dia do fechamento do Olímpia, dirigi um documentário sobre a triste data, minha contribuição pessoal à memória desse ícone da sétima arte que Belém e o Pará perderam.

Pouco depois a empresa, pelas mesmíssimas razões, encerrou as atividades dos cines Nazaré 1 e 2 (este o antigo Cine Iracema). Aqui ela nem sequer anunciou a última sessão, como fez, usando de discreta elegância, em relação ao Olímpia. Apenas, para iludir o público, colocou nos letreiros a frase ‘fechado para reforma’, engodo que durou quase um ano de espera, quando finalmente ela cedeu à proposta feita por uma rede de magazines. Alguns anos antes haviam surgido quatro salas exibidoras, que pouco duraram, caso dos Cines Doca 1 e 2 e os Cines Castanheira 1 e 2. Essas salas foram iniciativas pessoais do empresário Alexandrino Moreira, um banqueiro apaixonado pelo cinema, que ajudou a modernizar o ambiente exibidor de Belém. Além desses, ele havia implantado os cinemas Um, Dois e Três, hoje arrendados para a Moviecom, pouco antes de seu falecimento. Alexandrino Moreira já vinha sentindo os efeitos deletérios da crise e não via saída para os seus cinemas senão vender os prédios, ou arrendá-los. Ele nunca escondeu isso e me falou, abertamente, numa entrevista. As salas já mudaram de nome e brevemente mudarão de lugar.

Crise atingiu primeiro os cinemas de bairro

O último exemplo de fechamento de cinema em Belém é o do Ópera, vizinho dos Cines Nazaré. O Cine Ópera já encerrou suas atividades de exibição cinematográfica como era previsível, embora de forma imperceptível, pois o grande público de cinema não mais freqüentava a sala inaugurada em 1961, como me apresso a explicar, antes de ser contestado. O Cine Ópera conservou, até recentemente, um galardão nada invejável de ser o único cinema do Brasil a exibir, em película, filmes pornográficos. Os raros cinemas que ainda resistem utilizam o sistema digital. Com o fim das distribuidoras desse gênero, o Ópera adquiriu as últimas fitas remanescentes e, com esse material mais do que surrado (e canibalizado), ficou projetando repetidamente partes misturadas dos vários filmes existentes. Para os atuais espectadores do cine Ópera, o que menos interessa é o que está sendo exibido e não preciso dizer mais nada. Quero me ater ao fato de que, com programação regular, o cine Ópera deixou de ser sala exibidora de filmes. Ou, para ser mais claro, deixou de ser cinema.

Na linguagem da exibição cinematográfica, havia o cinema de bairro, considerado de segunda linha, uma sala que aguardava os lançamentos nos cinemas do centro para só depois exibi-los. E estes foram os primeiros atingidos pela crise, começando a fechar muito antes que os cinemas do interior. A evolução da grave crise na exibição cinematográfica criou os cinemas de Shopping, salas menores, modernas e confortáveis, menos dispendiosas e exclusivas para os lançamentos, surgidas na esteira das várias fórmulas adotadas no intuito de atrair os espectadores que fugiam paulatinamente das bilheterias. Esta foi a melhor arma utilizada pelo grande exibidor para fazer frente à evasão do público que ameaçava extinguir a atividade. Mas no interior do Pará não sobrou nenhuma sala exibidora, de tantas que existiram. E também aqui estou oferecendo minha contribuição, pois está em fase de acabamento meu livro sobre a extinção dos cinemas no interior do Pará, no qual historio o surgimento, crescimento e esse total declínio, com suas várias causas e iguais conseqüências.

Fonte: Cinema no Tucupi, Pedro Veriano

Fonte: Cinema no Tucupi, Pedro Veriano

Ao longo do tempo, a capital do Pará foi relativamente pródiga em salas exibidoras de filmes e sempre valerá a pena uma revisita memorialistica a elas. Vou mencioná-las como homenagem póstuma de um apreciador de seus produtos em película, que embalaram os sonhos de muitos e cuja ausência tanta falta faz à nossa paisagem física e cultural. Cada cinema teve sua história particular, ligada à origem familiar, ao desempenho comercial, às diversas relações com o público, assuntos para muito mais espaço além do que eu disponho. Pelo menos três livros registram as salas exibidoras que existiram em Belém. O primeiro é ‘Cinema no Tucupi’, (Belém. Secult. 1999), de Pedro Veriano, este certamente o maior cinéfilo do Estado e um dos principais do Brasil. O médico Pedro Veriano respira e transpira cinema em todas as horas do dia, exceto quando está dormindo. Apaixonado pela sétima arte, Veriano sempre foi uma voz e uma pena vibrantes em defesa da exibição cinematográfica. O segundo é ‘Ritmos e Cantares’, (Belém. Secult. 2000), do também médico Alfredo Oliveira, mais memorialista do que cinéfilo, que procurou memorizar os cinemas que povoaram toda a sua infância e adolescência no Pará. O terceiro é ‘A Cidade Transitiva’ (Belém. Imprensa Oficial. 1998) do economista Armando Mendes, que recorda, sem aprofundar, os principais cinemas da capital numa certa época. Esses livros representam memorialística refinada, no meu entender.

Cine Palácio foi o maior e mais luxuoso de Belém

O Cine Palácio encabeça esta lista, que não é pequena e pode, eventualmente, conter alguma lacuna, facilmente corrigível com a ajuda dos leitores. O Cine Palácio, que hoje é um templo religioso (mesmo destino de boa parte das grandes salas exibidoras do Brasil), inaugurado em 1959 foi o maior e mais luxuoso cinema de Belém.

Os cines Moderno e Independência foram propriedades de uma empresa que também distribuía filmes, a Cardoso & Lopes, e durante muitos anos atendeu aos cinemas do interior. Ainda em Nazaré, o Cine Poeira antecedeu o Cine Nazaré, no mesmo lugar.

Na Cidade Velha havia o Guarani e o Universal, no Reduto o Íris, na Praça Brasil primeiro surgiu o São João e depois o Cine Art. No bairro da Pedreira existiram o Paraíso e o Rex, depois transformado no Vitória. Na Sacramenta, o Brasilândia funcionou por poucos anos apenas.

Alguém lembra do Cine Marambaia? Funcionou por algum tempo na avenida Dalva, de forma precária, fruto do interesse pessoal de seu proprietário, um funcionário dos Correios.

Na Base Naval havia o Cine Guajará, que por um período foi aberto ao público, com programação alternativa organizada pelo dr. Pedro Veriano e na Base Aérea o Cine Catalina, administrado pela própria Aeronáutica. Icoaraci chegou a dispor de dois cinemas, o Cine Ipiranga e o Cine Jóia. O distrito de Mosqueiro também teve experiência com a exibição de iniciativa do sr. Odilardo Mescouto, e por fim sob a responsabilidade de Pedro Veriano, que relata em seu livro o sacrifício que enfrentou para manter precariamente a sala exibidora.

Ainda em Belém, há registros do Cine Aldeia do Rádio, no Jurunas, que exibia filmes apenas uma vez por semana e na bitola de 16 milimetros, que era uma alternativa relativamente barata, em relação às películas de 36 mm; do Cine Tamoios, no bairro de Batista Campos; do Cine Rian, em Canudos; do Cine Guajará, na Duque, e do Paramazon, na Travessa Piedade, que também só exibia películas em 16 mm. E cujo prédio ainda existe por lá.

Esses nomes são símbolos que representam os vestígios de uma atividade que teve seu esplendor e que desapareceu, ou se transformou. Mais surpresas a exibição cinematográfica ainda nos reserva para um futuro próximo. Ou, simplesmente, para a memória.

* O autor é cientista político, jornalista e professor aposentado da UFPa, e agora passa a publicar esta seção aos domingos.

 

jqcarneiro@uol.com.br

Fonte: Portal ORM