LINHA DO TEMPO DO CINEMA PARAENSE 1970/1980

Chegam ao mercado as câmeras na bitola 8 mm, indicadas para uso doméstico e amador. Uma dessas câmeras chega às mãos do redator publicitário e cinéfilo Vicente Cecim que, de 1975 a 1979, realiza o «Kinemandara», um ciclo poético-cinematográfico, um universo nublado e intimista deste cineasta de uma Belém onírica e irreal.

A série é composta por cinco filmes: «Matadouro» (1975), «Permanência» (1976), Sombras (1977), «Malditos Mendigos» (1978) e «Rumores» (1979).  Os filmes em super-8mm, sem áudio, eram exibidos em sessões cineclubistas acompanhadas de músicas em toca-discos. Nos anos 2000 quando foram digitalizados Cecim incluiu as trilhas sonoras.

Ainda nos anos 1970 em Belém Ronaldo Moraes Rêgo (A Perseguição) e Paes Loureiro (Elegia para uma cidade) realizam experimentações cinematográficas em super-8mm, existem ainda produções do período não catalogadas.

Atravessando a Baía do Guajará, na Ilha do Marajó, o padre italiano Giovanni Gallo, apontava a lente da sua super-8 para os habitantes e as paisagens do lugar, realizando obras de caráter etnográfico como «O jacaré já era», de meados dos anos 1970, onde acompanha uma caçada ao animal.

A Casa de Estudos Germânicos da UFPA em parceria com a Embrafilme realiza dois ciclos de oficinas em práticas cinematográficas nos anos 1980 de onde, entre outros, são realizados os curtas-metragens «Ver-O-Peso» (1984) e «Marias da Castanha» (1987) de Edna Castro e Simone Raskin.

Com o surgimento do vídeo novas possibilidades se incorporam ao fazer cinematográfico, uma dessas experiências poéticas é o vídeo arte «Cenesthesia» (1988), de Toni Soares, Dênio Maués e Jorane Castro, filmado em Super-VHS.

DESTAQUES DO AUDIOVISUAL PARAENSE EM 2019

Nossa equipe escolheu os destaques do universo audiovisual de nossa terra. Confira nossas escolhas.

AMAZÔNIA DOC 5

Depois de sete anos da última edição, em 2012, o festival idealizado e produzido por Zienhe Castro voltou em 2019 para sua quita edição, retomando seu lugar como o principal festival de cinema no Pará.

A BESTA POP

O longa-metragem de 2018 realizado por alunos do curso de Cinema e Audiovisual da UFPA mostrou sua força criativa em festivais pelo Brasil, como a Mostra Sesc de Cinema e o Maranhão na Tela onde foi premiado.

REFLEXO DO LAGO

Primeiro longa-metragem do cineasta Fernando Segtowick, produzido e finalizado em 2019, o documentário acompanha a vida da comunidade as margens do lago da usina de Tucuruí. Já vimos o documentário e o resultado é belo e contundente.

MESTRE CUPIJÓ E SEU RITMO

O estado do Pará é reconhecido mundialmente por sua cultura, porém raramente registra e homenageia seus mestres da cultura popular. O documentário de Jorane Castro faz jus à história desse mestre e tira da invisibilidade sua obra musical.

 

SAMMLIZ – LEVIATÃ LUX

O mais recente videoclipe de Sammliz é uma obra cheia de poética e cores com a marca da diretora Adriana Oliveira. É a obra audiovisual de uma beleza estonteante, kitsch, pop e contemporânea.

AMAZÔNIA OCUPADA

O ambicioso projeto documental de Priscilla Brasil teve seu primeiro episódio lançado, “Jari”.  A diretora afirma ser o primeiro de uma série sobre a ocupação do espaço amazônico brasileiro. Ganhou o prêmio do público no Amazônia Doc 5.

CENTRO DE ESTUDOS CINEMATOGRÁFICOS

Conduzido por Marco Antônio Moreira o CEC vem regularmente trazendo a tona a obra de realizadores e pensadores do cinema, de ontem e hoje, para exibir e debater cinema.  Um projeto profundo, democrático e gratuito que merece mais atenção do público.

A SÉRIE AMAZÔNIA OCULTA

A série de ficção, escrita e dirigida por Roger Elarrat, foi produzida em 2019 e é um projeto monumental para nossos padrões, em numero de atores, cenas e horas gravadas. O diretor compartilhou o processo nas redes sociais gerando uma grande expectativa sobre o projeto.

TRANSAMAZÔNIA

Projeto idealizado por Debora McDowell e Bea Morbach foi comtemplado pelo edital Rumos Itaú Cultural. O documentário sobre a vida de travestis na Transamazônica ganhou prêmio de direção do Festival Mix Brasil e deve fazer grande carreira em festivais em 2020.

 

#amazonia #cinema #movies #amazon #cinema brasileiro #belem #para #cinemateca

LINHA DO TEMPO DO CINEMA PARAENSE // ANOS 1960

 

Líbero Luxardo já havia realizado três longas-metragem no estado do Mato Grosso,  «Alma do Brasil» (1932), «Caçando Feras» (1936) e «Aruanã (1938), quando chegou ao Pará nos anos 1940 para tentar se estabelecer como realizador nas terras amazônicas. Foi «cinegrafista-oficial» de Magalhães Barata, realizando para o interventor do estado uma série de cine-jornais antes de reiniciar em Belém sua carreira cinematográfica em ficção.

Em 1965 lança seu primeiro longa-metragem paraense, «Um dia qualquer», que foi sucedido por «Marajó: barreira do mar» em 1966, «Um diamante e cinco balas» de 1968, e seu último filme e o primeiro em cores «Brutos inocentes» de 1973.

Líbero foi o responsável pela entrada de Milton Mendonça no ramo cinematográfico com a produção de cinejornais, como «Belém do Pará» de 1966 feito para o aniversário de 350 anos de Belém. Os cinejornais da Juçara Filmes de Milton Mendonça são o principal documento audiovisual sobre política, sociedade e cultura dos anos 1960 em Belém.

Renato Tapajós, um jovem cineasta vindo de Santarém, realiza em 1964 o documentário em curta-metragem «Vila da Barca», finalizado em São Paulo por grandes nomes do cinema brasileiro, como Maurice Capovilla e João Batista de Andrade. O filme foi proibido no Brasil pela ditadura mas teve muito boa recepção na Europa, recebendo importantes prêmios. Durante os anos 1960 o crítico e cineclubista Pedro Veriano reúne a família e amigos na produção de filmes caseiros, desta produção temos o “neorealista” «Brinquedo Perdido» com data de produção de 1962, que consideramos um dos marcos de surgimento do cinema paraense.

 

FILMOGRAFIA – LÍBERO LUXARDO

Líbero Luxardo (1908/ Sorocaba – SP – 1980/ Belém-PA) realizou entre 1932 e 1973 sete filmes longa-metragem, três no Ciclo Mato-grossense, Alma do Brasil (1932), Caçando feras (1936) e Aruanã (1938), e quatro no estado do Pará, em seu Ciclo Amazônico, Um Dia Qualquer… (1965), Marajó – Barreira do Mar (1966), Um Diamante e Cinco Balas (1968) e Brutos Inocentes (1973). Líbero Luxardo foi o pioneiro na realização de longas-metragens no Pará. Realizou, entre as décadas de 1950 e 1970, dezenas de documentários jornalísticos (cine-jornais) e quatro longas-metragens, sendo até os dias de hoje os únicos filmes de longa duração realizados no Pará neste período. Esta filmografia realizada no Pará hoje faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som do Pará, sendo nosso mais importante patrimônio fílmico.

Assista aqui os filmes de Líbero Luxardo.

“Caçando Feras” (1936) e “Um Diamante e Cinco Balas” (1968) estão perdidos.

AMAZÔNIA OCULTA

O que sabemos até agora sobre a série ficcional de Roger Elarrat, realizada em 2019 em Belém, retiramos do Facebook do realizador. Sobre a pré-produção Roger diz:

Essa é uma série que é produzida e será filmada no Pará. Eu cheguei a perguntar por atores que moram fora daqui mas que estarão aqui em julho para serem também considerados no casting. Não temos previsão orçamentária de passagem, hospedagem, etc para elenco de fora. Da mesma forma, queremos priorizar elenco amazônico que tem poucas oportunidades no meio, além das feições, o sotaque etc. Alguns atores que não são paraenses mas que moram aqui também têm participado de testes, mas são pouquíssimos, e os consideramos como elenco local pela logística, avaliamos a possibilidade de alcançarem o sotaque, e se parecem com os atores daqui.

Da esq. para dir: Roger Elarrat, direitor e roteirista, Lucas Escócio, Fotografia, e Felipe Braun, Produção.

Com roteiro do próprio Roger a série terá 5 episódios com três estórias em cada.

Os títulos dos 15 contos da série Amazônia Oculta, de acordo com o realizador são:

– O Escafandro e a Cabana
– O Duplo
– Cyber Kayapó
– A Entidade
– Eco
– O Filtro dos Sonhos
– O Símbolo Amarelo
– Abissal
– O Espelho
– A Estrela
– Eterno Retorno
– O véu
– Buraco Negro
– A Máscara
– Ilusão

Frames da série compartilhados dão uma ideia sobre o visual da série.

Roger também compartilhou uma série de curiosidades sobre a produção de Amazônia Oculta:

Algumas curiosidades da série:

– filmando em 3 semanas, as 15 histórias precisaram de um planejamento muito preciso porque praticamente todo dia era uma locação nova e não podia cair cena pro dia seguinte.
– acho que foi o projeto que fiz com o maior número de atores envolvidos.
– teve profissional que tava trabalhando ao meu lado pela quarta vez. Vários outros era terceira vez!
– terror, suspense… mas nada de Matinta, Boto ou Iara.
– tivemos uma equipe de efeitos práticos só de profissionais locais: fumaça, língua de monstro, sangue, tripas, gangrena, ácido, fogo, corpo mumificado e muito mais foi feito por eles. Um sonho né?
– fotografia ficou impressionante, mesmo com recursos simples e até “oldschool” às vezes.
– Rodamos em 4K
– tem tanto histórias de mata, de rio, quanto histórias da Amazônia Urbana.
– tivemos alguns nus tanto femininos quanto masculinos.
– alguns contos da série tiveram estilos de direção bem distintos uns dos outros: um foi só planos sequência e câmera na mão, outro só câmera parada, outro só dutch angle, outro cheio de plongé e contra-plongé e por aí vai.
– teve elenco mirim e atriz de 96 anos!
– aliás uma atriz de 14 anos foi uma das que mais surpreendeu. Vem aí mais uma descoberta nossa!
– vários elementos da minha assinatura estão presentes mais uma vez: carrinho de raspa-raspa, máscaras, duplo, cenas à luz de velas, encruzilhada, temas sombrios, café. 

Mais curiosidades da produção da série Amazônia Oculta, filmada em julho de 2019:

– Na última semana de pré-produção rolou uma dança das cadeiras no elenco. Gente caiu, gente trocou de personagem, trocou passagem de avião e gente mostrou serviço pra ficar na série. Ismara (primeira assist. de direção) tava uma general irredutível no cronograma pra tudo dar certo.

– Uma das locações só foi decidida na véspera da filmagem. Olha que normalmente é tudo fechado com semanas de antecedência para toda a papelada, logística e decisões artísticas poderem ser encaminhadas a tempo. Não sei que mágica a Luana com a produção e a direção de arte fizeram, mas deu tudo certo nesse dia. Inclusive, segundo Maurício (o continuísta), rodamos mais de 40 planos, informação que tentaram me esconder para não dar muita confiança.

– Sempre imaginei que filmar com bicho seria muito sofrido, mas tivemos um cachorro ator que era um lorde inglês, além de muito fotogênico.

– Em um dos dias da ilha do combu a mágica do cinema aconteceu: o gerador quase cai do barco e acabou que não pudemos usar 80% do equipamento de luz planejado. Resultado: uma grande improvisação do Lucas (fotógrafo). Tive que entrar no clima e improvisar também com elenco e planificação de cenas. Joguei meu tablet com diagraminhas de lado e fui no embalo. Jazz.

– Um dos dias teve filmagens em um porão cheio de morcegos. Feri minha cabeça, um dos atores feriu a cabeça e a atriz principal cortou a mão (em cena!) e ainda rodou mais uns 3 planos com a mão sangrando.

– Quando chegamos ao Bosque Rodrigues Alves era dia de eclipse + lua cheia. A cidade foi tomada por uma tempestade e o bosque alagou, ficou um breu. Só se via os raios no céu. Todo mundo se escondeu e o pessoal que trabalhava lá se impressionava que eu era o único andando de um lado pro outro no meio das trilhas. Diziam que era cheio de visagem por lá, mas eu só pensava nas minhas cenas que tinham caído. Até voz do além foi escutada no rádio nessa noite.

– Fiz um stand in em uma cena de figuração saindo de dentro do corpo de um homem/monstro. Era só pra mostrar como queria, mas a equipe de foto me filmou e por sorte não virei meme (ainda).

– Lucas teve cara branca no dia que filmamos em um barco, mas por sorte já estávamos nos últimos dias de filmagens.

– 14 personagens morrem ao longo da série e mais uns tantos outros morreram pouco antes das tramas começarem ou podem morrer pouco depois das histórias terminarem.

– 10 personagens tiveram caracterização que precisavam que os atores usassem algum tipo de figurino especial (roupa de monstro/ robô/ visagem, máscara etc.)

Fonte: Facebook do realizador

FILME DO MÊS // ABR.2017 – “ENQUANTO CHOVE” DE ALBERTO BITAR E PAULO ALMEIDA

ENQUANTO CHOVE 2003, Belém, PA

Direção, Roteiro, Edição e Montagem: Alberto Bitar e Paulo Almeida
Produção: Maria Christina e Pékora Cereja
Designer de Som: Leo Bitar

Cor: Colorido, Formato: DV, Duração: 18min.

Elenco: Bob Menezes, Pékora Cereja, Adriano Barroso, Ailson Braga, Flavya Mutran, Silvana Saldanha, Jeferson Cecim, Abdias Pinheiro.

Enquanto Chove

Sinopse: 12 histórias que focalizam o cotidiano, que se interligam pela chuva e por acontecimentos fortuitos. Inspirado em livro homonimo, as histórias são marcadas pela sensualidade, pela a solidão e pela busca do amor. Música e imagens se fundem para criar uma atmosfera de caos e poesia.

Comentários: Inspirado no livro de contos «Enquanto chove» de Ailson Braga. Melhor Vídeo no 2o Festival de Belém do Cinema Brasileiro. Resultada da bolsa de criação artística do Instituto de Artes do Pará.

Filme do mês // Out.2015 – ERNANI CHAVES – ALÉM DO MURO de Darcel Andrade

Uma homenagem  ao professor e cineasta Darcel Andrade, o filme do mês é um documentário em forma de diálogo entre o realizador e o filósofo Ernani Chaves que narra um percurso histórico, filosófico e poético por Berlim.

Título “Ernani Chaves Além do Muro __ Memórias de um Filósofo em uma Alemanha de mudanças”, Documentário, Produção: Uni Escolas Cinema. Diretor/ Produtor: Darcel Andrade.  Roteirista: Ernani Chaves. Editor/montador: Sávio Palheta. Diretor/músico: Artista de Rua em Berlim. País, Região, Estado de Origem: Brasil e Alemanha. Ano de Produção: 2013. Duração:
33 min.

SINOPSE:
“Ernani Chaves – Além do Muro: Memórias de um Filósofo em uma Alemanha de Mudanças”, gravado em Berlim em janeiro de 2013, na oportunidade em que este filósofo brasileiro, nascido na cidade de Soure, Ilha do Marajó, Pará, Amazônia, completa 25 anos de pesquisa Foucoaultiana na Europa e Brasil, dialogando com Walter Benjamim e Nietzsche. O filme fez uma pré-estreia na programação de lançamento do livro ‘Michel Foucault e a Verdade Cínica’, em novembro do mesmo ano em Belém, com a participação de uma seleta plateia de pesquisadores, fãs e críticos de cinema. O filme é um encontro de duas percepções que se complementam como pintura e moldura na harmonia de um diálogo entre o protagonista Ernani Chaves e o diretor e produtor Darcel Andrade. O primeiro é narratário que descreve Berlim a sete graus abaixo de zero e que serviu de cenário com seus personagens históricos na lembrança de filmes clássicos como ‘Asas do Desejo’, ‘O Céu sobre Berlim’ e outros, os quais revelam uma Alemanha de transformações, alvo do pensamento de filósofos contemporâneos e cineastas, sendo Wim Wenders um deles; o segundo é um realizador audacioso e aprendiz que faz do seu cinema instrumento de conteúdos com temáticas sociais ao utilizar uma simples hand cam, e consegue captar os nobres sentimentos do filósofo e sua relação afetiva com a cidade de Berlim. As memórias aqui reveladas, são materializadas com vozes e inserções de clássicos do cinema mundial.

Sobre o realizador

photoDarcel Andrade

Doutoramento em Antropologia na Universidade Técnica de Lisboa, com estudos específicos em Migrações Transnacionais, Desigualdades e Cidadania, Poder, Cultura e Identidades, Modelos de Desenvolvimento Econômico, Métodos Qualitativos em Pesquisa, Projetos de Pesquisa; na mesma Universidade, é colaborador das linhas de pesquisa em Mobilidade, Cidadania e Desenvolvimento – do Laboratório de Pesquisa MobCid, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Polítcas – ISCSP/UTL; No Brasil, Doutoramento como Aluno Especial nas disciplinas de Antropologia Social e do Desenvolvimento e Gestão Ambiental pelo Núcleo de Estudos Avançados da Amazônia da Universidade Federal do Pará – NAEA/UFPA; Na mesma Universidade, Doutoramento como Aluno Especial nas Disciplinas Análise do Discurso Narrativo e Linguagem e Interpretação: uma introdução ao projeto teórico de Clifford Geertz no Instituto de Filosofia e Antropologia; Mestrado em Educação na Linha de Pesquisa Saberes Culturais e Educacionais da Amazônia, pela Universidade do Estado do Pará – UEPA; tem três Especializações: SEMIÓTICA E CULTURA VISUAL – UFPA; DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas; e RECURSOS HUMANOS EM EDUCAÇÃO pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; graduação em EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, com habilitação em Artes Plásticas e Licenciaturas Plena e Curta, pela Universidade Federal do Pará. Atuou como docente da Escola Superior Madre Celeste – ESMAC; Atualmente é colaborador do Grupo de Pesquisa Cultura e Memórias Amazônicas da Universidade do Estado do Pará – CUMA/ UEPA, e Coordenador Executivo do Projeto de Educação Audiovisual e Extensão Cineclubista Uni Escolas Cênicas de Teatro e Cinema, da mesma Universidade, Capus Vigia de Nazaré; faz parte do Grupo de Pesquisa em Educação Rural da Amazônia – GEPERUAZ – UFPA e realiza projetos de formação no Núcleo de Educação Popular Paulo Freire; é docente de Instituições do Ensino Superior – IES dos Estados do Pará e Paraná, onde ministra as disciplinas de Metodologia de Pesquisa, Didática, Ética e Humanizaçã; tem experiência na área de cinema e teatro com prêmos nacionais e regionais; é produtor independente de filmes de caráter socioeducacional, documentário e ficção, com temas do imaginário do homem amazônico, rural e urbano, com foco antropológico e educacional em escolas e comunidades. Estuda Linguagem audiovisual; saberes do homem marajoara no Museu do Marajó, Amazônia Brasil. Mais, verificar no endereço: http://www.uniescolascinema.blogspot.com

6 projetos paraenses contemplados em edital da Ancine/SaV/EBC

muamba

Tapume, projeto da produtora Muamba contemplado no edital.

Seis projetos paraenses foram contemplados no edital do  Programa Brasil de Todas as Telas , produto da parceria entre a Agência Nacional do Cinema – ANCINE, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SaV) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). São mais de quatro milhões de reais em investimento em produção de séries para todos os públicos. Um destaque para a produtora Visagem com dois projetos contemplados e a Greenvision que em seu projeto “Amazônia ocupada captou o maior montante, mais de dois milhões de reais para falar sobre a imigração na Amazônia.

Os projetos contemplados foram:

“Amazônia ocupada” Proponente: Companhia Amazônica De Filmes S/S LTDA (PA) Produtora: Green Vision Direção: Priscilla Regis Brasil Público: Adulto. Sinopse: Série conta as histórias de migrantes de diversas áreas do Brasil durante as 13 maiores explosões migratórias na Amazônia entre as décadas de 1960 e 1980.

“As lendas da turma do Jambu” Proponente/produtora: 3D Produções LTDA EPP (PA) Direção: José Paulo Vieira da Costa Público: Infantil. Sinopse: Cada episódio da série trata de uma lenda do folclore brasileiro. A relação da Turma do Jambu com esta lenda é explicitada através de animações de recortes de desenhos realizados por crianças de diversas escolas do Brasil. Temas de lendas diferentes serão enviados para várias instituições de ensino de todo país, onde serão feitos desenhos em diversas técnicas: tinta guache, giz de cera, canetinha e colagem. Estes desenhos serão animados através de animação 2D.

“Aurá, eu sou de lá” Proponente/proponente: Visagem Serviço de Produção de Video Ltda. ME (PA) Direção: Ursula Vidal Santiago de Mendonça e Homero Flávio Fortunato da Silva Público: Adulto. Sinopse: Acompanha o cotidiano de 5 personagens que representam a esgarçada trama social tecida ao longo de mais de 20 anos de trabalho árduo e insalubre no segundo maior aterro do Brasil: o lixão do Aurá, localizado em Belém do Pará.

“Os dinâmicos” Proponente/produtora: Central de Produção Cinema e Vídeo Na Amazônia. (PA) Direção: Afonso Gallindo e Luciana Medeiros Público: Infantil. Sinopse: Os músicos da banda “Os Dinâmicos” tocam um ritmo original e contagiante, a guitarrada, alegrando as vilas ribeirinhas da Amazônia, onde vivem. Enquanto animam as festas e convivem em seu estúdio, eles também guardam um segredo. Joaquim Vieira (Mestre Vieira), Idalgino Cabral, Lauro Honório, Dejacir Magno e Luis Poça são mais músicos, eles são super heróis da Amazônia, que atendem inúmeros pedidos de socorro e denúncias contra a natureza.

“Squat na Amazônia” Proponente/produtora: Visagem Serviço de Produção de Video Ltda ME. (PA) Direção: Roger Elarrat do Carmo Público: Jovem. Sinopse: Narra a história de Juliano de Benjamim, jovens atores recém formados na Amazônia que fazem parte de uma geração de artistas que buscam novas formas de expressar a arte que criam, mas são frustrados pela realidade da produção teatral local. Eles decidem então criar um coletivo de teatro ao lado da jovem artista Valentina.

“Tapume” Proponente/produtora: Muamba Estudio Ltda ME (PA) Direção: Brunno Regis Público: Jovem. Sinopse: Série que retrata manifestações culturais de rua a partir de duas linguagens artísticas: o audiovisual e as artes gráficas.

Fonte: Ancine

Filme do mês // Ago.2015 – VILA DA BARCA de Renato Tapajós

 

Como foi o processo de realização do Vila da Barca?

Eu havia, há pouco tempo, me ligado a um pessoal de cinema em São Paulo, o Grupo Kuatro, do qual fizeram parte o João Batista de Andrade e o Francisco Ramalho. No grupo, eu já havia feito dois curtas ficcionais em 8 mm, felizmente perdidos. Mas minha fixação era no documentário. Em 1964 fui de ferias para Belém (onde meus pais moravam) e conheci um publicitário chamado Abílio Couceiro. Conversando sobre cinema, eu disse que estava interessado em fazer um documentário sobre a Vila da Barca. Ele se interessou e me disse que tinha uma câmara  16mm e alguns rolos de negativo pb. Também me emprestou um gravador de rolo, grande e incômodo de usar. Fui para Vila da Barca sozinho com a câmara e eu mesmo fiz a fotografia (primeira e ultima experiência no ramo). Depois voltei para gravar um depoimento que havia me chamado a atenção. Quando voltei para São Paulo, ,mandei revelar o material e fiquei com aqueles rolos na mão, sem saber muito bem o que fazer. Discuti a proposta com os companheiros do Grupo Kuatro e depois de muita discussão, um cineasta que não era do grupo, mas era conhecido, o Maurice Capovilla se ofereceu para montar o filme. Ele tinha acesso a uma moviola da Aliança Francesa e lá trabalhamos durante as madrugadas (que era quando havia horário livre e gratuito) até chegar na versão final do filme. O filme rodou no circuito independente durante um certo tempo (de 1965 a 1968) e o Sergio Muniz acabou levando-o para o Festival de Leipzig. Neste Festival o Vila da Barca ganhou o premio de melhor documentário curto. Quando recebi o premio, acreditei que sabia fazer cinema e isso deu no que deu.

62117_10151331658111649_1680340722_n

 

VILA da Barca. Direção: Renato Tapajós. Produção: Abílio Couceiro. Montagem: Maurice Capovilla, João Batista de Andrade, Renato Tapajós. Assistente de Direção: Lais Furtado. Imagem: Fernando Melo / Cinematográfica Bandeirantes. Som: Odil Fonobrasil. Montagem do Negativo e Som: Sylvio Renoldi. Narração: Cláudio Mamberti. Colaboração: Cláudio Barradas, Isidoro Alves, Acyr Castro, Poty Fernandes, José da Silva Marreco. Belém. 1964 10 min. Belém/São Paulo. p&b. Son. Filmado em 16mm.

vila da barca

Sala de Cinema com o cineasta Chico Carneiro

SALA 01 CHICO x

O cineasta paraense Chico Carneiro é o primeiro convidado do projeto “Sala de Cinema”, uma iniciativa da Cinemateca Paraense em discutir a produção cinematográfica no estado do Pará através de exibição e discussão de filmes. O evento marca uma nova fase da Cinemateca Paraense, com uma sede para reuniões, oficinas e mostras de filmes. “É um espaço intimista e aconchegante pra ver, conversar e viver o cinema de ontem e hoje, um desdobramento da pesquisa que o site realiza” diz o curador Ramiro Quaresma que recentemente defendeu a dissertação de mestrado (PPGArtes, ICA e UFPA) sobre o trabalho de preservação do patrimônio audiovisual realizado pelo site cinematecaparaense.org há sete anos.

Chico Carneiro reside hoje me Moçambique e está de passagem por Belém trazendo o último filme da pentalogia sobre os rios da Amazônia que vem realizando desde 2006 com recursos próprios durante as férias em que volta para rever sua terra natal. Chico começou sua trajetória no cinema nos anos 1970 realizando filmes experimentais em Super 8 e 16 milímetros, foi também assistente de câmera no clássico “Iracema” de Jorge Bodanzky (1976). Trabalhou com Hector Babenco em sua fase paulista nos anos 1980. Hoje em Moçambique é realizador de documentários e fotógrafo.

Sobre seu ideal cinematográfico Chico Carneiro diz: “Ao mesmo tempo essa dinâmica (de me obrigar a fazer sempre um filme nas viagens de férias ao Pará) e sem depender de apoios externos, tem-me permitido ser bastante profícuo em praticar um cinema autoral e documental na sua forma mais profunda, ao mesmo tempo em que demarco minha participação/contribuição na solidificação de uma cinematografia amazônica-paraense.”

“Sala de Cinema” é uma realização da Cinemateca Paraense que tem curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação museológica de Deyse Marinho, e apoio cultural da Associação de Críticos de Cinema do Pará e da Revista PZZ.

Serviço:

Sala de Cinema / Cinemateca Paraense

Convidado: Chico Carneiro

Quando: 23 de junho, terça-feira, às 19h.

Onde: Trav. Frutuoso Guimarães, 602. Campina.

Informações: 91 983823559 (Ramiro Quaresma)