Sala de Cinema com o cineasta Chico Carneiro

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O cineasta paraense Chico Carneiro é o primeiro convidado do projeto “Sala de Cinema”, uma iniciativa da Cinemateca Paraense em discutir a produção cinematográfica no estado do Pará através de exibição e discussão de filmes. O evento marca uma nova fase da Cinemateca Paraense, com uma sede para reuniões, oficinas e mostras de filmes. “É um espaço intimista e aconchegante pra ver, conversar e viver o cinema de ontem e hoje, um desdobramento da pesquisa que o site realiza” diz o curador Ramiro Quaresma que recentemente defendeu a dissertação de mestrado (PPGArtes, ICA e UFPA) sobre o trabalho de preservação do patrimônio audiovisual realizado pelo site cinematecaparaense.org há sete anos.

Chico Carneiro reside hoje me Moçambique e está de passagem por Belém trazendo o último filme da pentalogia sobre os rios da Amazônia que vem realizando desde 2006 com recursos próprios durante as férias em que volta para rever sua terra natal. Chico começou sua trajetória no cinema nos anos 1970 realizando filmes experimentais em Super 8 e 16 milímetros, foi também assistente de câmera no clássico “Iracema” de Jorge Bodanzky (1976). Trabalhou com Hector Babenco em sua fase paulista nos anos 1980. Hoje em Moçambique é realizador de documentários e fotógrafo.

Sobre seu ideal cinematográfico Chico Carneiro diz: “Ao mesmo tempo essa dinâmica (de me obrigar a fazer sempre um filme nas viagens de férias ao Pará) e sem depender de apoios externos, tem-me permitido ser bastante profícuo em praticar um cinema autoral e documental na sua forma mais profunda, ao mesmo tempo em que demarco minha participação/contribuição na solidificação de uma cinematografia amazônica-paraense.”

“Sala de Cinema” é uma realização da Cinemateca Paraense que tem curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação museológica de Deyse Marinho, e apoio cultural da Associação de Críticos de Cinema do Pará e da Revista PZZ.

Serviço:

Sala de Cinema / Cinemateca Paraense

Convidado: Chico Carneiro

Quando: 23 de junho, terça-feira, às 19h.

Onde: Trav. Frutuoso Guimarães, 602. Campina.

Informações: 91 983823559 (Ramiro Quaresma)

Cine Olympia espera processo de tombamento

Era uma vez a Belle Époque. A ‘era dourada’ que iluminava a capital paraense com a cultura européia e dos trópicos, tinha como seus principais pilares as belas construções e conjuntos arquitetônicos aonde a intelectualidade aflorava. Um dos locais mais ‘badalados’, o entorno do Theatro da Paz, na Avenida Presidente Vargas com seus túneis de Mangueiras, com a imponente casa de ópera de um lado, e o Grand Hotel de outro, tinha ainda um belo cinema completando o quadro.

Com a influencia da arquitetura Art Deco, o Cine Olympia foi inaugurado no dia 24 de abril de 1912, durante o governo de Antônio Lemos e era ponto de encontro, aonde o luxo e o requinte do espaço combinavam em perfeita harmonia com a sofisticação da fervilhante sociedade paraense. Era um período rico em diversos aspectos, e o Cinema Olympia projetava sonhos, filmes de Chaplin, Greta Garbo e Rodolfo Valentino enquanto as damas e cavalheiros se encontravam pelos corredores usando seus melhores trajes.

Meta é trazer de volta os dias de glória

O tempo passou, a paisagem foi se modificando e o que resta do então glorioso entorno, são o Theatro da Paz e o Cine Olympia. Tombado, o Theatro é uma das ‘menina dos olhos’ do governo estadual, que na atual gestão realizou uma portentosa – e necessária reforma e manutenção no local. O Olympia, ameaçou não sobreviver até a chegada de seu centenário. Com inúmeras dificuldades e a administração claudicante do grupo Severiano Ribeiro, o cinema quase fechar as portas em 2006. Protestos de artistas e agitadores culturais fizeram a prefeitura assinar um contrato de locação do espaço, que ainda carece de verba e de reconhecimento da sua importância histórica, merecendo ser um cinema equipado e restaurado.

Tombar para manter

Mas, ao que tudo indica, a prefeitura de Belém (através da Fumbel) está comprometida e em contagem regressiva para tomar conta do Olympia e devolvê-lo a glória do passado. Autor do projeto de tombamento do cinema – que desde agosto de 2011 vem tramitando por diversas comissões na câmara e foi aprovado por unanimidade pelos vereadores -, o vereador Abel Loureiro explicou que, a partir da publicação em Diário Oficial, a prefeitura municipal de Belém poderá desapropriar o imóvel, evitando uma futura alienação do bem a terceiros que poderão descaracterizar os traços culturais e históricos do cinema e assim considerá-lo Patrimônio Histórico e Cultural de Belém, garantindo a sua preservação.

O presidente da Fumbel, Carlos Amilcar, contou que especialistas do departamento de patrimônio histórico estão fazendo estudos e pesquisas para verificar se, além de ser o cinema mais antigo em funcionamento no país, o Olympia pode ser a casa de exibição audiovisual mais antiga em funcionamento no mundo, o que valeria um registro no Guiness Book – o livro dos recordes. “Talvez seja o cinema mais antigo do mundo, tem um na França que foi inaugurado antes mas ficou um tempo sem funcionar durante a guerra. O Olympia nunca parou de funcionar, fez apenas alguns intervalos na programação para reformas”, contou Amilcar, que acrescentou que desde que a Fumbel assumiu a administração a fachada do cinema foi revitalizada e benfeitoras foram feitas, como a revisão da cobertura de instalações elétricas e da estrutura hidráulica.

“Sabemos que o cinema precisa urgentemente de reformas e de trocas como a do sistema de refrigeração, está tudo orçado, mas só podemos fazer isso quando o processo estiver concluído e buscando obedecer a lei de conservação junto com o Iphan e DPac. Em dezembro do ano passado o cinema recebeu uma pintura completa. Como é um espaço público não cobramos ingresso, mas creio que o maior problema que enfrentamos em termos de programação e captação de platéia e com os filmes, por que só podemos alugar cópias em 35 mm, e a maioria dos filmes hoje vem em cópias digitais”, informou Amilcar.

Futuro projetado

“Há exemplos de antigos cinemas no país e mesmo aqui na cidade, como o Cine Palácio, que sofreram transformações de uso, como para templo de culto religioso no caso citado. A própria localização está propícia à especulação, já que faz parte de uma área de potencial zona de comércio e serviços, ao lado de grande loja nacional, além de outros tipos de empresas e comércios, como bancos e afins, principalmente devido à sua acessibilidade para um grande público diário nas redondezas” explicou Abel Loureiro, no dia da sessão na qual o projeto de lei foi aprovado.

Para Amilcar, a obrigatoriedade do Cine Olympia estar vinculado apenas à reprodução de filmes como sua principal atividade, é algo que está muito claro para prefeitura de Belém. “O prefeito está sancionando a lei para que ele se torne nosso patrimônio, e quando esse processo for concluído não permitiremos possíveis mudanças futuras de atividade. Estamos com um planejamento pronto de revitalização e manutenção do espaço, e queremos dar de presente um projetor digital quando completar cem anos em Abril, tudo para que o Olympia seja intocável, conservado e usado como cinema”, frisou.

Segundo ele, entre as atividades e projetos para celebrar o centenário cinema, está previsto um evento grandioso no dia 24 de abril, que já conta com a mobilização da cena cultural de Belém. “Estamos criando na Fumbel uma comissão para trabalhar em cima das ações do centenário. Temos artistas como Fafá de Belém que demonstrar o maior interesse em fazer parte e mobilizar cineastas de fora para virem prestigiare participar de um evento eclético que terá uma exposição e exibições; a Luzia Miranda e o Pedro Veriano estão organizando um livro que contam a história do cine Olympia, patrocinado pela Lei To Teixeira; e vamos fazer exibições de filmes emblemáticos que passaram nesses cem anos”, contou o presidente, que mostrou uma série de catálogos de espaços como do Palacete Pinho e do Mube, e cujo próximo tema deverá ser o cinema.

Gerente do cinema há cinco anos, Nazaré Morais garantiu que boa parte da programação alusiva ao centenário do Olympia já está fechada: “Estamos planejando desde metade do ano passado as ações, sendo que a primeira foi o relógio de contagem regressiva no site, com apoio da Sol Informática, e o livro “100 anos da história social de Belém”, falando sobre o cinema, que está sendo escrito pela Luzia Miranda e o Pedro Veriano. E em parceria com a Associação de Críticos de Cinema do Pará, vamos realizar um seminário intitulado ‘O primeiro século do cinema Olympia – história e perspectivas’ de 20 a 22 de abril, com o apoio da Universidade Federal do Pará”.

Marco Antônio Moreira, programador e membro do comitê gestor do Cine Olympia, enfatizou que programações alusivas ao centenário vem acontecendo desde o inicio de 2012. “Fizemos a Mostra do Mazzaropi, que já esteve várias vezes na tela desse cinema e a Mostra Cinema e Carnaval com muitos filmes que já passaram aqui também. A partir do dia 26, iniciamos a mostra de filmes do Eryk Rocha, que é filho do Glauber Rocha e tem obras significativas, e faremos inclusive o lançamento do ‘Transeunte’, o primeiro filme de ficção dele”. Para Moreira, a mobilização entre artistas tem sido intensa, com muita gente querendo colaborar com o centenário.

Fonte: Diário do Pará

Associação dos Críticos de Cinema do Pará

ACCPA é a Associação dos Críticos de Cinema do Pará que tem como um de seus objetivos a formação de uma nova platéia de espectadores que veja e valorize o cinema como arte.
A ACCPA é uma continuação do trabalho realizado pela APCC (Associação Paraense dos Críticos de Cinema) que foi fundada em meados dos anos 60 e que com uma série de ações mudou o perfil do público de cinema de Belém nos anos 70 através da programação feita no auditório do Grêmio Literário Português, no Cine Guajará, no auditório da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), Auditório de Odontologia e depois nos anos 80 com a programação do Cine Líbero Luxardo.
Hoje apoiando os novos espaços do chamado cinema alternativo de Belém, a ACCPA espera poder dar sua colaboração no novo panorama de cinema local.
Contamos com sua participação neste blog que visa uma troca de informações e idéias.

AÇÕES DA ACCPA :
– Sessão ACCPA/IAP (Cineclube Alexandrino Moreira -Auditório do IAP – quinzenalmente às segundas-feiras às 19 h)
– Sessão CULT (Cine Líbero Luxardo – quinzenalmente aos sabádos às 16 h)
– Sessão CINEMATECA (Cine Olympia – quinzenalmente aos domingos às 16 h)
– Sessão CLÁSSICOS DO CINEMA (Cineclube Pedro Veriano – Casa da Linguagem – uma vez por mês às terças-feiras às 18:30 h)
– Sessão AVENTURA (Cine Olympia – quinzenalmente aos domingos às 16 h )
– Projeto Moviecom Arte (Moviecom Castanheira Sala 04 – Projeção Digital – exibição diária com uma sessão especial de sexta à quinta-feira)

APOIO NA PROGRAMAÇÃO :
– Cine Olympia
– Cine Líbero Luxardo
– Cine Estação
– Moviecom Arte

Acesse nosso Twitter :
http://www.twitter.com/accpa

Fonte: Blog da ACCPA