Filme do Mês// Fevereiro – 2021 “Meu tempo menino” (2007) de Emanoel Loureiro

Essa pequena joia do cinema paraense realizada pelo santareno Emanoel Loureiro é o nosso Filme do Mês de fevereiro de 2021. Realizado na cidade natal do realizador com recursos próprios e lançado em 2007 conta em seu elenco com atores não-profissionais em excelentes atuações. O roteiro segue o dia de um garoto que vai do interior vender picolé na cidade e se envolve em pequenas aventuras. Simples e preciso, amazônico de fato, como poucos filmes realizados no estado do Pará conseguiram ser. Segue o filme para apreciação assim como um pequena entrevista com o realizador.

Como surgiu a ideia para o roteiro de Meu Tempo Menino e como foi a pré-produção?
EL: A criação do enredo desse meu primeiro curta foi logo após escutar a música Tempo Destino do Nilson Chaves. Inspirado pela letra, saí caminhando pela orla de Santarém e todos os “atores” e o “mis en scene” passaram por mim nessa caminhada. Empolgado, fui convidando essas pessoas para participarem do filme. Toda a sorte de desafios apareceu. Nenhum patrocínio ou apoio foi conseguido. Não consegui montar uma equipe de filmagem. Assumi a responsabilidade sozinho, juntamente com um amigo. Lidar com não-atores até foi tranquilo nesse caso, pois todos estavam muito entusiasmados.
Quais os maiores desafios de realizar um filme inteiro em Santarém (PA), com elenco e produção locais?
EL: O roteiro foi feito às pressas pois não perder a oportunidade, então eu praticamente escrevia uma cena a noite para fazê-la no dia seguinte. A ausência de atores profissionais e de uma equipe profissional na época, freiava o andamento das filmagens. Tudo era muito lento.
Como o filme repercutiu em mostras e festivais e o impacto dele na sua trajetória de realizador?
EL: Esse curta teve ótima aceitação no Norte/ Nordeste e marcou sensivelmente minha estreia como realizador. Principalmente, por ter sido uma ponte de ligação de um diretor interiorano com o país, numa época em que a internet engatinhava.

Filme do Mês// Janeiro – 2021 “Léguas a nos separar” (2018) de Vitor Souza Lima

Quando surgiu a ideia do filme? Como foi o desenvolvimento e a repercussão?

A existência de cidades homônimas sempre me provocou certa estranheza. Quando percebi a existência de dezenas de territórios homônimos entre Portugal e o Pará, me deu vontade de fazer algo sobre isso, mas que focasse na visualidade desses lugares. Em quais pontos geográficos essas cidades se encontram visualmente e poeticamente?

Ao mesmo tempo, durante o processo de pesquisa e filmagem, a distância entre essas “cidades-irmãs” me suscitou questões como saudade, distância, solidão. No meio do processo minha avó faleceu e eu tinha acabado de e terminar um relacionamento. Então essas questões estavam muito presentes.

De modo que o filme é menos sobre a relação histórica ou social entre esses territórios e mais sobre uma relação muito íntima e pessoal comigo mesmo.

(Eu tenho ainda algumas questões pessoais com o filme, por isso ele não circulou por aí. A única exibição em festival foi no AmazoniaDoc em 2019.

 

PARTICIPAÇÃO EM FESTIVAIS:

AMAZÔNIADOC 6

MOSTRA AMAZÔNIA LEGAL:

Melhor Curta-metragem

 

ASSISTA O FILME

 
FRAMES
 

FILMES DA DÉCADA – CINEMA PARAENSE

Em 2020 nosso projeto completou dez anos de pesquisa do cinema e do patrimônio audiovisual paraense e, para fechar o ano, elaborou uma lista dos filmes e produções audiovisuais mais importantes da década, de 2011 a 2020, em nosso estado. São 10 filmes que consideramos obras obrigatórias para a compreensão desta década do cinema paraense.
O ano foi difícil para o setor audiovisual, muitos projetos não foram lançados por conta da pandemia, outros seguiram por festivais virtuais, e a internet foi a salvação e o grande desafio. Nunca foi consumido tanto produtos audiovisuais on demand como no ano que se acaba, e nunca foi tão necessária. As salas de cinema fechadas fizeram de 2020 o pior ano da história do cinema, mas seguimos produzindo, pesquisando e criando cinema.
A esperança de que em 2020 a PL 417/2019 (Lei do Audiovisual Milton Mendonça, obrigado @criapara) e a Lei Aldir Blanc/ Audiovisual sejam o impulso inicial de uma nova retomada e uma luz, após essas trevas, para o cinema paraense. E mais, um desejo e pedido, que a prefeitura de Belém reative o Edital de Fomento a Produção de Curtas-metragem, tão importante no início dos anos 2000.
A publicação dos Filmes da Década marca também a ativação do nosso portal cinematecaparaense.org e um agradecimento a todos os realizadores, inclusos ou não nesta lista que é apenas um recorte simbólico, que bravamente lutam pelo cinema.
Os filmes da década, de acordo com nossa curadoria, são:
O documentário vencedor do grande prêmio no último Amazônia Doc é um projeto de sensibilidade e coragem. As diretoras conseguem testemunhar e registrar a intimidade de mulheres trans da Amazônia e encadear esse delicado material com uma poética contundente. Sem duvida um dos melhores documentários já produzidos no Pará.
Um filme de estrada feminista e amazônico. Jorane fez um longa-metragem com protagonistas mulheres em uma busca por amor, de Belém até Salinas. Impossível não destacar a cantora Keila Gentil em uma atuação naturalista e vibrante. É o mais recente filme de longa duração feito no Pará depois de um hiato de 40 anos, fato que por si só já o colocaria como um dos grandes filmes paraenses da história. Mas não apenas por isso. Sua edição cria um tempo poético com as imagens úmidas e sem pressa, e a música envolve o espectador numa atmosfera amazônica. É tecnicamente perfeito, humano e levemente selvagem. Um marco.
A webserie musical Sampleados é uma grande homenagem ao brega paraense e suas derivações contemporâneas. Com duas temporadas e episódios especiais a produção já foi vista milhões de vezes no canal da Platô Filmes. Filmado sempre em locações icônicas da capital e com participação de diversos intérpretes em novas versões de clássicos do brega pop. A produção das faixas de Will Love é um trunfo do projeto, encadeando o roteiro com as musicas.
A estrutura narrativa, simples a primeira vista, com um off que transita da comédia ao drama de forma exemplar, é permeada por imagens de arquivo que muito contribuem para a simpatia pela história que o filme conta. Cheio de soluções visuais criativas, fotografia vintage e montagem com um perfeita criação de tempo. O afeto está presente em cada frame dessa pequena obra-prima.
A ilha de Cotijuba é um personagem desse filme de Mateus Moura. Uma história de amor e morte na fronteira entre o real e a encantaria. Realizado de forma colaborativa, entre amigos de sonho, surpreende pela técnica e narrativa humana e social, mostrando uma Amazônia além da paisagem.
A distopia proposta por este experimento cinematográfico de alunos do curso de Cinema e Audiovisual da UFPa é um marco do nosso cinema. Realizado com recursos exíguos em todas as suas etapas de produção, com uma ficha técnica gigantesca de colaboradores e apoiadores, é uma prova de que é possível. Participou de uma série de festivais e mostras por todo o Brasil, ganhando alguns prêmios.

Filme do Mês// Junho – 2020 “Raimundo Quintela, Caçador de Vira Porco” (2018) de Robson Fonseca

 

FICHA TÉCNICA

RAIMUNDO Quintela, caçador de vira porco. Roteiro e Direção: Robson Fonseca. Assistente de Direção: Felipe Cortez. Produção executiva: Lorena Souza. Direção de Produção: Moana Mendes. Direção de Fotografia: André Mardock. Fotografia: André Mardock, Lucas Escócio. Som direto: Luciano Mourão. Montagem, colorização e pós-produção: Mano Mana Filmes. Direção de Arte e Figurino: Jeffersom Cecim. Preparação de elenco: Roger Paes. Ass. de produção: Aldo Carvalho, Tainah Jorge.  Trilha sonora: Toni Link. Elenco: Paulo Marat, Natal Silva, Nanna Reis, Ester Sá, Albuquerque Pereira, Francisco Gaspar, Roger Paes. Produtora: Mano Mana Filmes. Belém. 2018. 15 min. Realizado a partir de recursos da Lei do Audiovisual.

 

ENTREVISTA

O cineasta e documentarista Robson Fonseca, em seu primeiro projeto de ficção, falou com a gente gente sobre o processo de realização do filme.

Como surgiu a ideia do filme?

A ideia do filme veio da minha ligação com os quadrinhos e com a cultura pop e também minhas experiências pessoais como documentarista viajando o estado do Pará, produzindo documentários sobre a cultura paraense. Daí surgiu a ideia de misturar tudo isso e criar um personagem que é universal mas ao mesmo tempo traz todo um sotaque amazônico do caboclo paraense. E a partir daí foi surgindo o caminho pra criar o anti-herói Raimundo Quintela o caçador de seres sobre naturais da Amazônia e Nairton seu parceiro e motorista, um falido DJ de aparelhagem, mentiroso e medroso. Com isso quis mostrar nosso universo cultural rico em personagens e histórias fantásticas.

Do roteiro a finalização como foi o processo?

Quando pensei no roteiro, e esse seria minha primeira experiência em roteiro de ficção para o cinema, tentei criar um filme que tivesse humor, suspense e uma pitada de terror e ação. Tudo que o universo fantástico das histórias de visagens paraense tem. Histórias que ouvia na infância quando ia para o interior com os meus país. misturando tudo isso criei um conto sobre a Matinta diferente do já que tinha sido feito, buscando uma estética que trouxesse nossas referências locais que se traduzem no figurino, na arte, na escolha do elenco, na trilha sonora e na cores do filme.

O filme foi selecionado no edital de curta metragens do extinto Ministério da Cultura em 2017, e em 2018 começamos a produção. Fizemos a questão de só termos técnicos e artistas paraenses na produção, isso também era parte importante do projeto, um meio de mostrar que aqui temos condições de produzir um produto audiovisual com qualidade profissional e artística. 

O filme foi gravado em Benevides no Sítio das flores, uma locação incrível que comportava todos os sets que precisávamos . Mas quando tínhamos terminado o quarto dia de gravação, de madrugada sofremos um assalto e além de equipamentos e pertences pessoais levaram as últimas 12 horas de gravação que tínhamos feito no dia. As cenas mais difíceis e importantes foram por água baixo, além do estresse e pânico, ficou a obrigação de entregar o filme para cumprir com edital, e sem dinheiro pra refazer, porque como todos sabem fazer cinema é muito caro e tínhamos um orçamento no osso.

Depois dois meses conseguimos juntar os cacos e reagendar com o resto da equipe que topou voltar e gravar tudo de novo, além de ter que trazer o Francisco Gaspar, ator que fez o Nairton, que é paraense, mas mora em SP e estava no meio de uma produção pra Netflix, e conseguiu uma brecha e veio terminar sua participação no filme. Foi uma aventura e tanto, mas entre mortos e feridos salvaram-se todos. Conseguimos finalizar o filme, e a partira dai foi só orgulho do vira porco, apelido carinhoso que a equipe deu para curta. Seguimos na luta!

E a repercussão do filme?

Raimundo Quintela o caçador de vira porco foi muito bem recebido nos festivais pelo Brasil. ganhando prêmios importantes como no CineFantasy 2019 festival internacional de cinema fantástico, melhor curta brasileiro, prêmio CTAV e Prêmio Mistika produções. Prêmio de melhor ator coadjuvante e melhor direção de arte no festival Maranhão na tela 2018. Prêmio de melhor ator coadjuvante no festival Palmacine 2019. Além das seleções oficiais em vários festivais pelo Brasil. 

 

CARTAZ OFICIAL

 

FESTIVAIS

MORGE-GO 2019 GOIÁS HORROR FILM FESTIVAL

FANTASPOA FESTIVAL DE CINEMA FANTÁSTICO DE NOVO HAMBURGO 2019

FESTIVAL DE CINEMA DE ALTER DO CHÃO 2019

10ª CRASH MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA FANTÁSTICO 2018,

FESTIVAL OLHAR DO NORTE 2020 .

 

STILLS

FILME DO MÊS// MAIO – 2020 “CHAMANDO VENTOS: POR UMA CARTOGRAFIA DOS ASSOBIOS ” DE MARCELO RODRIGUES

 

Entrevistamos Marcelo Rodrigues sobre a realização de seu documentário que já percorreu uma boa carreira em festivais e agora está no canal do realizador. Marcelo é um realizador paraense, formado em Comunicação Social, com uma longa carreira como diretor de fotografia e repórter fotográfico.

1. Como surgiu a ideia do filme?

 

Na feira do Ver-o-Peso, em 2007, gravando com o amigo Armando Queiroz a videoarte “Estátua Viva”. Já havia finalizado as gravações e ficamos durante algum tempo contemplando a vista da Baía do Guajará. Não recordo bem por qual motivo me veio à mente essa história de assobiar para chamar os ventos. O fato é que permanecemos durante algum tempo conversando a respeito deste passatempo com os assobios. Pra quem não conhece, em tempos idos, era muito comum assobiar para conjurar o vento geral nas horas em que cessavam as correntes de ar e não era possível empinar os papagaios. Este foi o primeiro insight sobre a possibilidade de fazer um vídeo abordando essa ação imaginária. Depois dessa conversa o vento precisou de um novo chamado para manifestar-se em minhas memórias. Acontece que em 2017, cursando Comunicação Social na Estácio-FAP, eu tive que produzir um artigo para a disciplina Cultura das Mídias, ministrada pelo Me. Professor Enderson Oliveira. O tema era livre e bastava que estivesse alinhado com o conteúdo da disciplina. Este foi o disparador para iniciar a pesquisa que viria, sob a orientação do Professor Enderson, a embasar o meu trabalho de conclusão de curso em Publicidade e Propaganda. Propus cartografar esses assobios  na rede mundial de computadores com o intuito de verificar como essa prática de assobiar para chamar os ventos, ligada ao imaginário e ao elemento ar, ocorria na web. Iniciava minha incursão na escrita acadêmica e pude contar com a colaboração generosa da querida amiga Nayara Amaral, auxiliando-me na revisão e organização dos dados obtidos com a pesquisa netnográfica. Essa história acabaria aqui, não fossem as agruras do destino. Às vésperas do encerramento das inscrições para o Programa SEIVA, criado pela Secretaria de Cultura do Estado do Pará, tive a felicidade de encontrar com a amiga Suanny Lopes em um café no centro de Belém. O resultado dessa bem-vinda conspiração do universo foi que, após aquele encontro fortuito, surgiu a oportunidade, a possibilidade de produzir o documentário “Chamando os Ventos”. Produtora sensível, além de amiga muito estimada, Suanny, ao ouvir meu relato sobre os assobios para chamar os ventos, imediatamente ofereceu-se para formatar o artigo e submetê-lo como projeto no Programa SEIVA-2018. Feito o movimento, veio a seleção do projeto e com ela a Bolsa de Pesquisa e Experimentação Artística e a defesa do trabalho de conclusão na graduação.

2. Do roteiro à finalização como foi o processo de produção?

 

 A família exerceu um papel preponderante nas etapas desse desafio. Nara Reis, minha companheira, com sua maravilhosa sensibilidade artística esteve sempre presente, colaborando na produção e finalização do documentário. Havia uma ideia e um locus de pesquisa. Iniciei as buscas a partir do uso de palavras chave que me conduzissem aos links contendo qualquer referência sobre o assunto. Consegui localizar endereços e entender um pouco sobre o perfil dos usuários no que dizia respeito à utilização dos assobios para chamar os ventos. Místicos, religiosos, poetas, escritores, artistas, pesquisadores, todos traziam alguma informação a partir de suas perspectivas, e pude atestar que existiam outros direcionamentos para esses chamamentos. Encontrei em Gaston Bachelard um sopro de inspiração, e devo aqui agradecer à amiga Simone Jares por sugerir a leitura de “O ar e os sonhos: ensaio sobre a imaginação do movimento”, livro que me orientou e me mostrou a direção – rosa dos ventos – que eu deveria seguir para conceber a estrutura do documentário. Outra importante ferramenta no processo de produção, foram as postagens que fiz na rede social Facebook. Por meio delas pude obter relatos sobre a prática dos assobios e verificar se havia interesse em participar do projeto. Pelo aplicativo de mensagens WhatsApp chegaram os assobios, as imagens e relatos incríveis. De repente estava ali o vento soprando. O roteiro era invisível como o ar materializando-se no imaginário. Foram longas noites sentado em frente ao computador, escutando as histórias e sentindo as ondas sonoras ventilado aos meus ouvidos. As sequências deveriam evidenciar a presença dos ventos em enquadramentos com cenas aéreas de céu e ar. A imensidão, o vazio no plano fílmico, teve como função presentificar a existência do elemental através do relato das personagens. Nesse sentido, os planos foram construídos em sua unidade a partir de composições onde era delimitado 1/3 do quadro para que fosse utilizado um dispositivo através do qual pudesse ser evidenciada a ação dos ventos – decisão tomada por ocasião de uma visita que fiz à querida Ana Lúcia Lobato, amiga muito amada. Depoimentos, trilha sonora, animação, todo o processo de pré-produção, produção e pós-produção foi discutido e documentado junto à coordenação do Programa SEIVA-2018.

 

3. Como foi a repercussão do filme e a importância dele na tua trajetória como realizador?

 

A repercussão do filme foi bem maior do que as minhas expectativas. De repente, a partir de uma ação imaginante, formou-se uma delicada rede virtual. Após as exibições, ainda no interior da sala de projeção, pude ouvir depoimentos sobre como o filme transportou para algum lugar no passado ou fez lembrar um acontecimento ou alguém em especial. Coisas como: “Minha avó me ensinou a assobiar para chamar o vento”; “isso me fez recordar minha infância”; “até hoje ainda chamo o vento”. Essas devolutivas me deixaram muito feliz. Saber que as experiências vividas e compartilhadas por Mariana Gouveia, Cuiabá (MT), Celdo Braga, Manaus (AM), Claudia Rodrigues, Belém (PA), Marton Maues, Belém (PA), Myriam Carvalho, Belém (PA), despertam memórias e trazem a tona histórias e imaginários adormecidos, faz valer a pena cada dia de cansaço por conta de noites mal dormidas. Foi o primeiro trabalho em que eu me envolvi, praticamente, em todas as etapas da realização: da pesquisa à finalização. Tudo de forma muito colaborativa. Pois, como já relatei anteriormente, eu estava muito bem assistido e acompanhado neste e em outros planos. Em novembro de 2019, a convite do SESC, viajei para a cidade de Paraty no Rio de Janeiro, onde participei da abertura da III Mostra SESC de Cinema. Foram oito dias de compartilhamentos de experiências e aprendizados. Selecionado para compor o panorama nacional, pela Mostra SESC, o filme circulou em todo país, marcando um novo episódio na minha carreira como cinegrafista e realizador. Também destaco as participações em festivais como: Festival Pan-Amazônico de Cinema/Amazônia Doc.5 (PA); Festival de Cinema de Alter do Chão (PA); II Festival Curta Bragança (PA); Festival Toró 5 (PA), prêmio menção honrosa. Todos no ano de 2019. Ter participado de festivais foi muito gratificante e encorajador. O filme também teve sua exibição na inauguração do CINECLUBE BOMBOMLER, um novo espaço criado pela Biblioteca Comunitária Itinerante BombomLER, no bairro da Marambaia.

 

Ficha técnica

CHAMANDO OS VENTOS: POR UMA CARTOGRAFIA DOS ASSOBIOS

DIREÇÃO, ROTEIRO E PESQUISA: MARCELO RODRIGUES; ASSISTENTE DE PESQUISA: NAYARA AMARAL; PRODUÇÃO: NARA REIS; DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: MARCELO RODRIGUES; DESENHO SONORO: ANDRÉ MARDOCK / MARCELO RODRIGUES; EDIÇÃO: MARCELO RODRIGUES; ANIMAÇÃO: VICTOR ALMEIDA; PROJETO CULTURAL (FORMATAÇÃO): SUANNY LOPES; 2018. COR. DIGITAL

FILME DO MÊS// FEV – 2020 “JAMBEIRO DO DIABO” DE ROGER ELARRAT

Roger Elarrat é um realizador paraense, formado em Comunicação Social (UFPA), que dirigiu as minisséries Miguel Miguel (2005), Squat na Amazônia (2019) e Amazônia Oculta (inédita), o documentário Chupa-chupa: a história que veio do céu (2007)  e o curta de animação Visagem (2006).
Como surgiu a ideia do curta e como se desenvolveu o roteiro?
R: Eu tive a ideia por volta de 2006 em meio a vários projetos que eu tinha em mente naquele momento de início de carreira. Tinha muito interesse em experimentar gêneros complicados de se filmar como suspense, terror, fantasia… pensei essa ideia do homem sem alma que não consegue demonstrar sentimentos e por isso é deixado pela namorada e ai ele parte em uma jornada em busca dessa alma perdida. Eu tive mais facilidade para criar o setup de tudo (como perde a alma, por quê e como ele está hoje no presente) do que o desenrolar. Em 2008 Adriano Barroso trouxe umas ideias para esse desenvolvimento e conseguimos desatar alguns nós, mas eu tinha em mente um caminho muito mais poético para os personagens do que o projeto estava se tornando. Nesse período eu participei de um curso avançado de roteiro com Juliana Reis no antigo IAP e tive muita orientação mais madura no projeto, consegui dar as amarras que faltavam e fiquei confiante de colocar o texto em um edital. Basicamente as referências vão de Fausto, passam pelo filme “E aí meu irmão, cadê você” e chegam até um episódio dos Simpsons que o Bart vende a alma a Milhouse.
Da captação de recursos a produção, como foi o processo?
R: O projeto ganhou dois editais no mesmo ano, o de Curta Minc e Curta Petrobrás. Durante a produção o Banco da Amazônia se interessou em financiar recursos complementares também. E ele já foi feito depois de outros projetos que escrevi ao mesmo tempo como minissérie, documentário e animação. Acabou que no Jambeiro pela primeira vez nós tivemos um curta com excelente estrutura de produção. A gente filmou o projeto todo em Belém e falseou a viagem ao interior com algumas locações na capital mesmo. Acho que foram mais de 300 figurantes, 3 meses de busca por elenco, ensaios e preparação, dois meses de pré-produção e 8 dias de gravações. E como eu já vinha da vivência de cenas ficcionais que foram gravadas para o DOCTV Chupa-chupa e da minissérie Miguel Miguel, eu consegui manter um ritmo muito organizado e preciso nas filmagens do Jambeiro. Acho que foi quando todo mundo começou a ver que eu podia ter um caminho sóbrio no meio. Quando a gente tá começando ou é nervoso e tímido ou muito estressado e autoritário, e quando chegou o Jambeiro eu já tinha passado dessas fases e a gente conseguiu um clima muito parceiro e amigo no set, ao mesmo tempo confiante e certeiro. Muita gente dali também foi crescendo no meio junto comigo ao longo dos anos depois do Jambeiro.
Como foi a repercussão do filme na época e qual legado dele para  sua carreira de realizador?
R:  O filme realmente fez  muito sucesso e me abriu muitas portas. Fui a Cannes com ele e consegui ter esse projeto como referência para disputar editais maiores. Eu senti que nesse projeto eu já estava bastante seguro com alguns aspectos de direção e também soube o que precisava estudar mais para os próximos. Também foi um projeto com efeitos muito complexos na época para fazermos e me senti confiante para tentar coisas mais complicadas nos outros projetos que vieram depois. Esse filme lançou várias carreiras como o Leoci Medeiros que só tinha feito teatro até então, Lucas Escócio, Luana Klautau e vários outros dos bastidores também só cresceram de lá pra cá. Acho que foi feito no momento certo na minha carreira e ainda planejo revisitar esse universo em um novo projeto no futuro.

FICHA TÉCNICA
JULIANA contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista. Direção: Roger Elarrat. Roteiro: Adriano Barroso, Roger Elarrat. Produtora: Visagem Filmes. Produção: Camila Kzan. Fotografia: Emerson Bueno. Trilha Sonora: Leonardo Venturieri. Som: Márcio Câmara. Direção de arte: Boris Knez. Figurino: Maurity Ferrão. Maquiagem: Sonia Penna. Elenco: Leoci Medeiros, Geisa Barra, Nani Tavares, Tiago Assis. Belém. 2012. Cor. Son. Filmado em Digital com transfer para 35mm.

FILME DO MÊS// JAN – 2020 “SHALA” de João Inácio

Entrevistamos o diretor João Inácio para saber sobre a bonita trajetória de seu curta-metragem “Shala” (2016), nosso Filme do Mês.
Como e quando surgiu a ideia original para o Shala?
Minha mãe trabalhou na antiga Fbesp e sempre trazia para casa muitas histórias. Uma delas foi de um garoto que não conseguia ser adotado, ele passou por varias processos de adoção e sempre era devolvido. Isso me tocou muito e decidi escrever um roteiro. Eu me indignava em saber que essa era uma historia não contada e que era comum nos abrigos.Na história não havia a materialização do preconceito representada pela boneca, isso foi criado para compor melhor o drama. Eu nunca tive contato com o personagem da vida real e procurei me manter distante para preservá-lo.
Da escrita do roteiro ao financiamento, como foi o processo?
Árduo e nada romântico. Na época do filme era muito difícil ter credibilidade para conseguir patrocínio sem um grande Edital de Cinema. Então eu procurei me adequar as exigências do maior edital federal de curta do ministério da cultura. Sua aprovação foi fundamental para o projeto ganhar reconhecimento, inclusive nacional. 
O projeto não era barato, filmamos em 35mm e em uma parte do país que não tem equipamento para esse tipo de produção. Todo o equipamento veio do sudeste e centro oeste, essa logística foi um compromisso assumido por mim, para que profissionais locais tivessem acesso a esse tipo de produção muito sazonal em Belém. Mas o mais caro foi toda a estrutura de produção, com quase 100 pessoas trabalhando direta e indiretamente,  onde precisamos transportar, alimentar, vestir e todos os demais necessário para a realização das filmagens.
Então foi necessário diversos apoios e conseguimos o patrocínio da Yamada e do Banco da Amazônia. Sem eles o filme não teria sido filmado. 
Da filmagem até o lançamento o tempo foi bem longo, o que aconteceu?
Sim, o filme estourou todos os orçamentos, tivemos trocas de fornecedores, trocas de hotéis, problemas com fornecimento de energia elétrica. O orçamento foi pro espaço. Um dia após as filmagens eu tive que fazer um grande empréstimo no banco para cobrir parte das dividas, foram 4 anos pagando. Ainda assim não havia mais recursos para finalizar, todas as fontes de financiamentos estavam esgotadas eu estava em depressão. Então eu engavetei o projeto e fui passar um tempo nos EUA. Lá, apresentei o filme para algumas pessoas. O filme não tinha legenda, mas fui muito bem recebido. A história se contava por sí só e eu fiquei muito animado, era um sopro de esperança e alívio por o filme cumprir sua função enquanto linguagem cinematográfica. Então eu consegui recursos para finaliza-lo.
Voltei para o Brasil, negociei com o Ministério da Cultura para entrega-lo em formato digital. Adequei o filme em todas as novas exigências do MinC e fechei parceria com a DOT e terminamos o filme. 
Você pode fazer um resumo da incrível trajetória do curta em festivais.
Um filme novo de um diretor desconhecido do cenário nacional e sem recursos, torna seu trabalho de fazer seu filme conhecido uma árdua e persistente jornada. Os 5 primeiros meses foram só escrevendo o filme em festivais e recebendo repostas negativas.
Mas o Mix Brasil e seus Labs foram fundamentais para eu repensar a divulgação e distribuição do filme. Abandonei os grandes festivais e foquei em tornar meus filme conhecido. Novos recursos dos EUA vieram para a inscrição do filme em festivais internacionais e deslocamento de cópias. Hoje há muitos festivais e muitas coisas ruins e picaretas, então era uma loucura, eu tinha que ler muito sobre cada festival que eu pretendia realizava uma inscrição. 
Então vieram os resultados. Turquia, Polônia, Russia, Coreia do Sul, Espanha, México, Lituânia, Itália, Japão, Africa do Sul, Equador, Colombia, Romênia, Panamá, Holanda, Bangladesh, Áustria, Austrália, Chile, Portugal, Canadá, França, Inglaterra e claro muitos estados dos Estados Unidos, concentrando a maior parte das exibições do filme, percorremos festivais de costa a costa. O filme entrou para o acervo de preservação de filme da Universidade da Califórnia. Esteve em espaços incríveis  em Nova Yorque. Foi exibido como ferramenta de estudo na Universidade de Upsala na Suécia, Foi exibido em uma sessão para mais de 300 pagantes em Paris, que arrancando aplausos em três tempos do filme. Foi visto por mais de 1350 crianças na Turquia. Foi eleito o melhor filme por crianças na Itália. Concorreu a uma pré-indicação ao Oscar na Espanha, e encerrou sua carreira no festival de cinema mais importante de Boston, exatamente onde o filme saiu da gaveta e voltou a respirar.
Muitos festivais que recusaram o filme passaram convida-lo, era um filme que estava em muitos catálogos, mas muitos festivais seguem regras rigorosas para a seleção, como exclusividade e apenas uma inscrição. Muitos nem assistiram o filme e recusaram. De qualquer forma isso não diminuiu o filme. Foram mais de 10 prêmios e mais 70 festivais ao redor no mundo. E hoje eu posso dizer que Shala já foi exibido em sessões públicas em todos os continentes do planeta.

FICHA TÉCNICA

Direção, Roteiro e Produção: João Inácio, Fotografia: Kátia Coelho, Direção de Arte: Aldo Paes, Edição de som: Renan Vasconcelos, Câmera: Naji Sidki, Figurino: Marbo Mendonça, Maquiagem: Sonia Penna, Direção de produção: Luciana Martins, Assistente de Produção: Hindra Miranda, Joanna Denholm, Thiago Freitas, Tiara Tiara Klautau, Fotografia still: Renato Chalu, Continuidade: Indaiá Freire, Montagem: Allan Ribeiro, João Inácio, Editor: Bruno Assis, 1º Assistente de Câmera: Emerson Maia, 2º Assistente de Câmera: Laércio Esteves, Trilha Sonora: Paulo José Campos de Melo, Assistente de Arte: Patricia Rodrigues, Viviane Rodrigues, Produtor Associado: Maryson Sousa, Matthew Berge, Motorista: Rafaela Fontoura, Direção de elenco: Cláudio Barros, Arte: Camila Leal, Francisco Leão, 1º Assistente de Direção: Afonso Galindo, Design de Som: Renan Vasconcelos, Captação de Som: Aloysio Compasso. Elenco: Tiago Assis, Lizabeli Vilhena, Juliana Sinimbu, Bruno Carreira. Filmado em 35mm. Belém, 2016.

FILME DO MÊS // ABR.2017 – “ENQUANTO CHOVE” DE ALBERTO BITAR E PAULO ALMEIDA

ENQUANTO CHOVE 2003, Belém, PA

Direção, Roteiro, Edição e Montagem: Alberto Bitar e Paulo Almeida
Produção: Maria Christina e Pékora Cereja
Designer de Som: Leo Bitar

Cor: Colorido, Formato: DV, Duração: 18min.

Elenco: Bob Menezes, Pékora Cereja, Adriano Barroso, Ailson Braga, Flavya Mutran, Silvana Saldanha, Jeferson Cecim, Abdias Pinheiro.

Enquanto Chove

Sinopse: 12 histórias que focalizam o cotidiano, que se interligam pela chuva e por acontecimentos fortuitos. Inspirado em livro homonimo, as histórias são marcadas pela sensualidade, pela a solidão e pela busca do amor. Música e imagens se fundem para criar uma atmosfera de caos e poesia.

Comentários: Inspirado no livro de contos «Enquanto chove» de Ailson Braga. Melhor Vídeo no 2o Festival de Belém do Cinema Brasileiro. Resultada da bolsa de criação artística do Instituto de Artes do Pará.

Filme do mês // Dez.2015 – “Outubro.Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro

12291063_1273687232658287_7399152472181591060_oCompartilhar vídeos é um gesto de afeto e uma intuitiva ação de preservação da memória. Tive a prova dessa constatação no no dia 09 de Dezembro quando assisti no Cinema Olympia, que dispensa argumentos de sua importância histórica e cultural em Belém, a primeira exibição pública do documentário colaborativo “Outubro. Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro com produção da Rede Cultura de Comunicação. Foi uma sessão emocionante pra mim e não apenas por conta do apelo do Círio de Nazaré, tema que nunca se esgota tamanha a complexidade da manifestação, mas por ver na grande tela do cinema um sucessão de vídeos em sua maioria gravados por dispositivos móveis. Carregam em sua poética uma subjetividade e uma naturalidade que uma equipe de cinema dificilmente consegue apesar de muitas vezes ter uma imagem tremida e um som ruim, gerando a dúvida entre a exclusão e o compartilhamento da nossa memória.  Nesse sentido escolher compartilhar é escolher guardar.

Nunca se fez tanto vídeo e nunca os processos de realização e distribuição audiovisual foram tão democráticos. São milhões por dia subindo para a nuvem e para as redes sociais, muita tosqueira claro, mas também culinária, games, ativismos, festa de aparelhagem, denúncias, gatinhos fofos e bebês comendo papinha. Pra que tanto vídeo meu Deus?! Para que nos (re)conheçamos enquanto gente, que vive em um mundo sem luz direcionada e rebatida, sem microfone de lapela, sem decoração de set, maquiagem ou figurinista. Esses vídeos reunidos no filme de pouco mais de 25 minutos de Larissa Ribeiro contam a história da nossa época e cada um deles encadeado nesta narrativa diz muito sobre nós enquanto gente. A provocação do filme era compartilhar vídeos com a hashtag #meucirioeassim ou enviar na plataforma do projeto http://ciriodoc.com.br/. Essa dinâmica proposta podia funcionar, ou não. E funcionou.

O filme feito a partir do projeto se destaca tanto pelo ineditismo da proposta quanto pela desmitificação do documentário audiovisual formal, coisa que Eduardo Coutinho fez de forma contundente ao revelar o bastidor da própria produção, e pela ousadia de romper, ou pelo menos não ter medo de tentar, com um padrão estabelecido pela ficionalização do documentário. Outro grande mérito do filme é ser um dos poucos exemplos de cinema de arquivo em nossa filmografia, que encara o todo o espectro da produção audiovisual como matéria prima de sua realização, uma opção narrativa que diz muito sobre a capacidade do realizador como pesquisador, se desprendendo de uma estética, uma gramatica própria, pra desvendar os subterrâneos das imagens.

Pedi pra Larissa responder duas perguntas sobre esse processo.

Como surgiu ideia, o desafio de propor um filme sem câmera, de arquivo, contando com as imagens de colaboradores?

O projeto está baseado no “Life in a Day”, doc sobre um dia na vida do planeta terra, feito com material de pessoas do mundo todo, produzido pelo Ridley Scott. Mas esse é um produto de muitos. É que quando a tecnologia vira hábito a gente acaba acostumando a não pensar sobre ela, porque é cotidiana pra gente. É aquele velho exemplo da criança que tenta manusear a revista como se fosse uma tela touch. A tecnologia é uma forma, que se molda ao uso que fazemos dela. Acredito profundamente nas experiências. Criar é sobre experiências. A sua e a do outro e como elas podem conversar entre si. Elevamos isso a uma grande potência quando apertamos em compartilhar. É o que tento buscar nos meus projetos. É o que busco aprender. Contar dessas novas formas é um caminho sem volta e é incrível percorrê-lo. E foi muito especial que a iniciativa de concretizar um projeto dessa tipo tenha vindo de uma emissora pública, a TV Cultura. As experimentações devem nascer nesses espaços. Então a pergunta com esse projeto foi : o que pode sair da experiência de cada um? Não tinha a menor ideia. Se seria um curta, um longa, um videoclipe. A linguagem é líquida. O bom então foi poder provar. Óbvio que quando você constrói esses projetos, especialmente pelo tempo curto de pós produção que já sabia que teria, é tentar acertar no modo como você pede. Ter uma linha básica. A nossa foi uma muito simples: a cronologia. Meia noite a meia noite. O mais bacana foi conversar com as pessoas e ver o nível de identificação delas. Muitas falaram isso. Porque um pouco cada um sentia um pedaço do seu próprio Círio nas histórias que estavam ali.

Como foi o processo de curadoria e edição desse volume de imagens brutas?

Foi assistir muita e muitas vezes o material bruto. Levantar e fazer outra coisa, para poder pensar melhor. Retomar o trabalho e pouco a pouco ir encaixando as peças. Aqui a cronologia foi importante porque ajudou muito a dar a base. Muito importante também mostrar, outros olhares que te ajudam a ver o que não vês mais. Escutar a opinião do outro e seguir. Depois aquela velha pena de deixar uma imagem boa de fora, mas saber que talvez ela não contaria o que precisas em determinado momento. Mas está ai. Depois fiquei pensando que uma experiência bacana seria disponibilizar o material bruto e ver que cortes as pessoas fariam do filme. O mundo é mash up, não? A edição que cada um pode dar. Mas isso já é outro projeto (risos). Acredito que fica é o motor da experiência. Saber que podemos provar esse método com muitos outros assuntos e sobretudo seguir experimentando.

Sobre a realizadora:

Larissa Ribeiro é Transmedia Storyteller e Produtora Audiovisual. Integrante da primeira geração do Curso de Televisão e Novos Meios, da prestigiosa Escola Internacional de Cine e TV de San Antonio de los Baños, Cuba (EICTV). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal do Pará, região amazônica do Brasil, aonde foi produtora, roteirista e diretora na TV Cultura do Pará. Trabalha com desenvolvimento de projetos para Cinema, Televisão, Internet, além de produtos híbridos e multiplataforma.

 

 

Filme do mês // Out.2015 – ERNANI CHAVES – ALÉM DO MURO de Darcel Andrade

Uma homenagem  ao professor e cineasta Darcel Andrade, o filme do mês é um documentário em forma de diálogo entre o realizador e o filósofo Ernani Chaves que narra um percurso histórico, filosófico e poético por Berlim.

Título “Ernani Chaves Além do Muro __ Memórias de um Filósofo em uma Alemanha de mudanças”, Documentário, Produção: Uni Escolas Cinema. Diretor/ Produtor: Darcel Andrade.  Roteirista: Ernani Chaves. Editor/montador: Sávio Palheta. Diretor/músico: Artista de Rua em Berlim. País, Região, Estado de Origem: Brasil e Alemanha. Ano de Produção: 2013. Duração:
33 min.

SINOPSE:
“Ernani Chaves – Além do Muro: Memórias de um Filósofo em uma Alemanha de Mudanças”, gravado em Berlim em janeiro de 2013, na oportunidade em que este filósofo brasileiro, nascido na cidade de Soure, Ilha do Marajó, Pará, Amazônia, completa 25 anos de pesquisa Foucoaultiana na Europa e Brasil, dialogando com Walter Benjamim e Nietzsche. O filme fez uma pré-estreia na programação de lançamento do livro ‘Michel Foucault e a Verdade Cínica’, em novembro do mesmo ano em Belém, com a participação de uma seleta plateia de pesquisadores, fãs e críticos de cinema. O filme é um encontro de duas percepções que se complementam como pintura e moldura na harmonia de um diálogo entre o protagonista Ernani Chaves e o diretor e produtor Darcel Andrade. O primeiro é narratário que descreve Berlim a sete graus abaixo de zero e que serviu de cenário com seus personagens históricos na lembrança de filmes clássicos como ‘Asas do Desejo’, ‘O Céu sobre Berlim’ e outros, os quais revelam uma Alemanha de transformações, alvo do pensamento de filósofos contemporâneos e cineastas, sendo Wim Wenders um deles; o segundo é um realizador audacioso e aprendiz que faz do seu cinema instrumento de conteúdos com temáticas sociais ao utilizar uma simples hand cam, e consegue captar os nobres sentimentos do filósofo e sua relação afetiva com a cidade de Berlim. As memórias aqui reveladas, são materializadas com vozes e inserções de clássicos do cinema mundial.

Sobre o realizador

photoDarcel Andrade

Doutoramento em Antropologia na Universidade Técnica de Lisboa, com estudos específicos em Migrações Transnacionais, Desigualdades e Cidadania, Poder, Cultura e Identidades, Modelos de Desenvolvimento Econômico, Métodos Qualitativos em Pesquisa, Projetos de Pesquisa; na mesma Universidade, é colaborador das linhas de pesquisa em Mobilidade, Cidadania e Desenvolvimento – do Laboratório de Pesquisa MobCid, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Polítcas – ISCSP/UTL; No Brasil, Doutoramento como Aluno Especial nas disciplinas de Antropologia Social e do Desenvolvimento e Gestão Ambiental pelo Núcleo de Estudos Avançados da Amazônia da Universidade Federal do Pará – NAEA/UFPA; Na mesma Universidade, Doutoramento como Aluno Especial nas Disciplinas Análise do Discurso Narrativo e Linguagem e Interpretação: uma introdução ao projeto teórico de Clifford Geertz no Instituto de Filosofia e Antropologia; Mestrado em Educação na Linha de Pesquisa Saberes Culturais e Educacionais da Amazônia, pela Universidade do Estado do Pará – UEPA; tem três Especializações: SEMIÓTICA E CULTURA VISUAL – UFPA; DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas; e RECURSOS HUMANOS EM EDUCAÇÃO pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; graduação em EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, com habilitação em Artes Plásticas e Licenciaturas Plena e Curta, pela Universidade Federal do Pará. Atuou como docente da Escola Superior Madre Celeste – ESMAC; Atualmente é colaborador do Grupo de Pesquisa Cultura e Memórias Amazônicas da Universidade do Estado do Pará – CUMA/ UEPA, e Coordenador Executivo do Projeto de Educação Audiovisual e Extensão Cineclubista Uni Escolas Cênicas de Teatro e Cinema, da mesma Universidade, Capus Vigia de Nazaré; faz parte do Grupo de Pesquisa em Educação Rural da Amazônia – GEPERUAZ – UFPA e realiza projetos de formação no Núcleo de Educação Popular Paulo Freire; é docente de Instituições do Ensino Superior – IES dos Estados do Pará e Paraná, onde ministra as disciplinas de Metodologia de Pesquisa, Didática, Ética e Humanizaçã; tem experiência na área de cinema e teatro com prêmos nacionais e regionais; é produtor independente de filmes de caráter socioeducacional, documentário e ficção, com temas do imaginário do homem amazônico, rural e urbano, com foco antropológico e educacional em escolas e comunidades. Estuda Linguagem audiovisual; saberes do homem marajoara no Museu do Marajó, Amazônia Brasil. Mais, verificar no endereço: http://www.uniescolascinema.blogspot.com