Um passeio pelos antigos cinemas de rua em Belém

Pelo Google Maps fiz uma jornada virtual de encontro aos antigos cinemas de rua de Belém e fui atrás daqueles que foram desativados.

O Cine Universal e Cine Guarani na Cidade Velha se transformaram em órgãos do Poder Judiciário, aliás a Cidade Velha é toda deles, dominam os prédios e as ruas.

Os cinemas 01, 02 e 03 do Cineart foram adquiridos por uma faculdade que na época da inauguração anunciou que continuaria com uma programação de cinema que nunca existiu. Morava próximo e assisti dezenas de filmes, de “Godfather III” a “Emanuelle 5”, passando por “Conan, o destruidor” e “Ghost”.

O Palácio, que foi o cinema mais lindo que já tive o prazer de assistir um filme, se transformou em templo de uma igreja evangélica. Vi “O vingador do futuro” nessa tela gigante onde hoje pastores surtam pra tirar dinheiro do povo. Deixei muito dinheiro na bilheteria desse cinema mas usufrui de cada centavo.

Os gigantes Nazaré e Iracema, onde vi toda a trilogia de Senhor dos Anéis, recente não?!  Eram mais que apenas salas de cinema, eram um patrimônio da cidade e deveriam ter sido registrados junto com o Círio de Nazaré, pois lá naquela praça foi onde o povo pode assistir cinema nos poeiras que lá existiam.

Restam o Olympia e o Ópera, em rumos opostos de programação e resistência.

Esse texto não é um artigo, nem uma matéria, é só melancolia mesmo.

Ramiro.

Cinema Guarani

Construído no início da década de 1940, foi explorado pela empresa Teixeira e Martins depois Cinematográfica Paraense Ltda. e finalmente, depois de 1946, por Luís Severiano Ribeiro, também proprietário dos cinemas Olímpia, Iracema, Poeira, Popular, Íris e São João. Era um cinema de bairro e inicialmente só fazia uma sessão às 20 horas nos dias de semana. Aos sábados, domingos e feriados havia vesperais. A sala era pequena, com poltronas de madeiras e ventiladores laterais. No século passado, o Guarani foi vendido para o Banco Sul Brasileiro. Hoje é ocupado pelo MinistérioPúblico.

Fonte: “Circuito Landi: Um roteiro pela arquitetura setecentista na Amazônia Circuito Landi:Um roteiro pela arquitetura setecentista na Amazônia” de Elna Andersen Trindade e Maria Beatriz Maneschy Faria