O cinema evangélico em Belém (sim ele existe!)

O jornalista Vladimir Cunha fez a descoberta que compartilhamos aqui no blog, do realizador Luiz Freitas, um pastor evangélico que roteiriza, dirige, exibe e distribui seus filmes com temática evangélica pelos cultos em Belém. Um cinema possível e marginal que merece uma atenção pela iniciativa e compreensão do audiovisual como uma cadeia mercadológica que transcende o criativo e artístico, uma compreensão fundamental pra objetiva fazer cinema. Assistem e leiam o comentário do jornalista que reproduzimos abaixo.

 

 

Hoje conheci o pastor Luiz Freitas, o primeiro (e único) cineasta gospel de Belém. Como todo bom realizador independente, ele escreve, dirige, monta e comercializa seus filmes sozinho. Só não assina como diretor, pois prefere, nos créditos, atribuir essa função a Jesus Cristo em Espírito.

Embora ele talvez não goste da associação, o método de produção e distribuição do pastor se assemelha ao do tecnobrega e ao de Antônio Snake, mais conhecido como o Buttman da Amazônia (para saber mais sobre o Snake leia a minha matéria com ele no Overmundo:http://www.overmundo.com.br/overblog/antonio-snake-o-buttman-da-amazonia )

verocurtaConversando com Luiz, ele me disse que o seu primeiro filme, Tudo É Possível ao que Crê, vem atraindo uma média de 300 espectadores nas sessões itinerantes que realiza nos cultos e igrejas da periferia de Belém. Em cada uma delas, vende entre 100 e 200 DVDs dependendo da quantidade e do poder aquisitivo do público. De uma certa maneira ele é mais bem-sucedido do que todos os cineastas e documentaristas de Belém, que ainda não conseguiram equalizar direito os seus esquemas de produção, distribuição e venda.

Eu não queria entrar no mérito do proselitismo cristão ou da qualidade do trabalho de Luiz Freitas, até porque essas são questões óbvias. Mas me interessou bastante ver que ele foi sagaz o suficiente para perceber um nicho de mercado e se inserir nele, entregando para os evangélicos belenenses filmes com a cara do povo do norte do país e que falam diretamente dos problemas de quem mora nas áreas mais pobres da capital paraense. E o que é mais legal: ser humilde o suficiente para colocar o filme debaixo do braço e ir até onde o seu público está.

Fica aí uma grande lição para os produtores e realizadores de Belém e do resto do Brasil.

 

Vladimir Cunha, jornalista paraense

7 respostas em “O cinema evangélico em Belém (sim ele existe!)

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