DICIONÁRIO DE FILMES BRASILEIROS, de Antônio Leão da Silva Neto

INTRODUÇÃO
Quando lancei o livro “Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro”, em 1998, não havia me dado conta de que outro livro estava encaminhado: este “Dicionário de Filmes Brasilei-ros”, que ora apresento. A última obra específica sobre o assunto e completa, com toda a filmografia, havia sido publicada em1979, por Araken Campos Pereira Júnior, e era o que tínhamosde mais “atualizado” até aquele momento, mas, na verdade,com uma defasagem de 23 anos. Lancei-me, então, nessa incrível aventura: o desafio de fazer um dicionário mais completo queo do Araken, incluindo resumo do argumento, comentários,premiações, etc., informações que sempre me interessaram eque eu nunca tive. Aproveitando o banco de dados existente, fruto do primeiro livro, iniciei meu trabalho de complementação das pesquisas em 1999 e percebi que meus problemas estavamapenas começando. Explico: Existem vários “buracos” na filmografia brasileira: temos o período inicial, fartamente documentado nos quatro fascículos intitulados “Filmografia Brasileira”, editados pela Cinemateca Brasileira entre 1984 e1991 e que abrangem, com riqueza de detalhes, o período mudodo Cinema Brasileiro, ou seja, 1897-1930. O primeiro “buraco”acontece de 1931 a 1966. Depois, temos o período INC/ Embrafilme, que cobriu bem o período 1967-1982 através deseus guias de filmes, revista “Filme-Cultura”, relatórios Embrafilme, etc. O segundo “buraco” acontece de 1983 até osdias atuais. Onde procurar os dados? Como sempre, a Cinemateca Brasileira é uma fonte inesgotável sobre o assunto.Quando você pensa que já viu tudo lá, surgem “surpresas” quenos alentam no trabalho de pesquisa. Ali encontrei livros,revistas, press-releases, apostilas, currículos, fichasfilmográficas, etc., além de pessoas sempre muito bem dispostas a nos atender. Outra fonte interessante, mas sempre mais difícil,é o contato com os produtores. Com raras exceções, são pessoas desinteressadas em colaborar, ou por falta de tempo, ou por julgar que este trabalho não é interessante mesmo; mas aí euquestiono: nem o mapeamento de suas próprias obras éimportante? A pesquisa no próprio filme também é válida econfiável. Consegui muitas informações em cópias 16mm,35mm, VHS e até DVD. Não era raro eu estar com um rolo de filme na mão, olhando com uma lente para colher os dados. Muita coisa do período mais recente (após a retomada em 1993) pode ser encontrada, com um pouco de paciência, na Internet,como por exemplo, sites de cineastas, atores, produtoras, ou mesmo sites sobre Cinema Brasileiro e o muito interessante site da Riofilme, que contempla fichas completas de todo seu acervo(que não é pequeno), além de sempre estar informando sobreas produções em andamento. O site da APTC – Associação deProfissionais e Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sulé um dos mais completos e informa a filmografia gaúcha detodos os tempos, incluindo os curtas (uma raridade) e os filmesem produção. Se todos os estados estivessem assim organizados,teríamos a filmografia brasileira disponível na Internet. Os jornais e revistas (principalmente de São Paulo, onde concentrei minhaspesquisas) têm dado bom destaque para filmes brasileiros em produção. Outrossim, tive a felicidade de contar com a ajuda dequatro personalidades do Cinema Brasileiro: Eduardo Giffoni Flórido, jornalista, curador do acervo da Atlântida, autor docélebre “Grandes Personagens do Cinema Brasileiro”, que meforneceu tudo que tinha sobre a Atlântida, além de ter feitocomentários oportunos e interessantes; o professor MáximoBarro, uma sumidade, conhece tudo, muito me ajudou tambémnas pesquisas, fornecendo dicas e comentários fundamentaisem filmes pouco conhecidos e quase todos em que ele mesmoparticipou da produção; Rubens Ewald Filho, outra unanimidade,o maior crítico de cinema do Brasil, acompanhou todo oprocesso, deu dicas, forneceu valiosas informações, emprestou livros, fez comentários excepcionais e o prefácio, um privilégio;e finalmente Frederico Botelho, da rede “2001 vídeo”, que fez olançamento do livro, toda a divulgação e a belíssima apresen-tação. Fred sempre acreditou no potencial do livro, me indicoupessoas, deu sugestões. Enfim, são quatro grandes amigos,que tiveram participação fundamental neste dicionário. Assim, juntando tudo, consegui concluir meu trabalho em28/02/2002, data em que encerrei as pesquisas e entregueios originais à editora. Minha expectativa é que este dicionário seja útil para toda a classe cinematográfica brasileira, para ospesquisadores e para os amantes do Cinema Brasileiro, tãocarente de adeptos, tão massacrado, mas tão em pé, como talveznunca esteve. Fazer um dicionário, normalmente não é tarefa fácil, mas em se tratando de Cinema Brasileiro, tudo fica maisdifícil, principalmente com a abrangência e riqueza de informações com que este pretendeu ser feito. Sempre preferipecar por excesso e não por omissão; por isso, muitos erros poderão ser encontrados, principalmente erros de datas, nomespróprios, bitola dos filmes (quase não temos informações) ouaté referências. Peço a todos que tiverem acesso a este dicionário, e que tenham informações complementares ou mesmo correções, que entrem em contato comigo. Enfim, este é um livro de filmes brasileiros para brasileiro ler, e, quem sabe, mudarum pouco sua visão tão preconceituosa sobre o Cinema Brasileiro. Que o nosso povo aprenda a ver filmes brasileiros,sem o parâmetro do filme americano, ou seja, totalmente desvinculado da máquina comercial que domina nossas telas. Que veja o filme brasileiro como um produto legitimamente nosso, feito por cineastas, técnicos e atores do mais alto gabarito,que nada ficam a dever a quem quer que seja, onde só lhes falta apoio e o devido respeito e reconhecimento. Ao analisar oconteúdo deste dicionário, o caro leitor verá o quanto de bom já produzimos e o quanto podemos fazer pela nossa cultura,preservando nossos costumes, mostrando nossas belezas naturais, nosso talento.
 Antônio Leão da Silva Neto

1 comentário

  1. Sinopse: uma jovem viaja a portugal e na excursão se apaixona pelo guia. Curtem um romance e ela retorna ao brasil. Percebe que o Guia joga charme para todas as turistas. Qual o nome do filme?

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